Isolamento em SP alerta PT, que tenta enquadrar Marta

Haddad não consegue adesões que garantam mais tempo de TV e nos bastidores ex-presidente Lula se irrita com ausência de senadora

Vera Rosa, Daiene Cardoso, Fernando Gallo e Lauriberto Braga

05 de junho de 2012 | 03h36

No dia em que o PR anunciou apoio ao candidato do PSDB à Prefeitura de São Paulo, José Serra, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva entrou em cena para tirar a campanha de Fernando Haddad (PT) do isolamento. Irritado com a senadora Marta Suplicy (SP), que boicotou o ato de lançamento de Haddad, no sábado, Lula escalou o presidente do PT, Rui Falcão, para enquadrar a petista e determinou "intervenção branca" do partido para impor a candidatura do senador Humberto Costa no Recife.

A solução do impasse na capital pernambucana é agora a única condição imposta pelo PSB para anunciar a aliança com Haddad. Com esse diagnóstico, o ex-presidente tentou amenizar o aval do PR a Serra, mas acusou o golpe e intensificou os esforços para acelerar a adesão do PSB e do PC do B a Haddad.

"É um pouco estranho o apoio do PR a Serra porque o partido está no governo federal", provocou Lula, nessa segunda-feira, 4. "Agora, me parece que entrou no governo estadual. Mas o fato de a direção do PR ter feito acordo com o PSDB não significa que todos os vereadores e militantes vão trabalhar para eles." Desde julho do ano passado, porém, quando Alfredo Nascimento foi defenestrado do Ministério dos Transportes, a sigla vive às turras com a presidente Dilma Rousseff.

Intervenção. Na tentativa de alavancar a campanha de Haddad, a Executiva Nacional do PT se reúne nesta terça-feira, 5, em São Paulo, e vai limpar o caminho para o PSB apoiá-lo. Apesar da vigília prometida pelo prefeito do Recife, João da Costa (PT), que quer disputar a reeleição, Lula já acertou tudo com o PSB para tirá-lo do páreo. Por exigência do governador Eduardo Campos - que é presidente do PSB e virou desafeto do prefeito -, o PT imporá nesta terça a candidatura de Humberto Costa.

No outro front, o ex-presidente ainda tenta atrair Marta e pediu a Falcão, que foi secretário de Governo quando ela era prefeita, para conversar com a senadora. Depois de boicotar o ato de lançamento da candidatura de Haddad, no sábado, Marta se recusou ontem a atender companheiros do PT e manteve os celulares desligados. Ela está magoada com Lula, que a obrigou a desistir em favor de Haddad, hoje empacado nas pesquisas.

"Deve ter acontecido algum problema com a Marta. Ela não é de falhar", desconversou o ex-presidente, após tomar vacina contra a gripe. "Tenho certeza de que ela estará presente na campanha, com o mesmo carinho com que eu vou participar."

Embora as declarações públicas sejam de compreensão, nos bastidores dirigentes do PT estão furiosos com Marta. A assessoria da senadora divulgou nota de duas linhas, ontem, informando que um impedimento "de caráter privado" a impossibilitou de ir ao encontro do PT.

A nota foi recebida com preocupação. As críticas internas entre grupos do PT agravaram-se depois que o deputado Edinho Silva, presidente do PT paulista, disse ao Estado que Marta está cometendo grave erro político ao se ausentar da campanha. Contrariado com as estocadas de Silva, Rui Falcão afirmou que a senadora "é a maior liderança de São Paulo e vai saber participar da campanha quando for mais útil".

Valorizando o passe do PC do B, o ex-ministro do Esporte Orlando Silva afirmou que a base aliada precisa ficar mais atenta porque Serra tem projeto nacional e está de olho no Planalto. "Espero que essa movimentação do PR sirva para que os partidos da base da presidente Dilma estejam alerta em São Paulo, onde o campo adversário se fortalece cada vez mais."

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