Irritado, Renan nega que tenha pressionado por voto fechado

Servidor afirma que deixou o cargo em protesto contra pressão para que parecer fosse favorável a senador

29 de agosto de 2007 | 18h55

Visivelmente irritado, o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), afirmou nesta quarta-feira, 29, que não pressionou o então secretário-geral adjunto da Mesa, Marcos Santi, para que a consultoria da Casa emitisse - o que acabou acontecendo - parecer recomendando voto fechado no Conselho de Ética do primeiro processo contra o senador. Santi alega que pediu demissão do cargo por discordar da forma como os órgãos técnicos do Senado têm se posicionado em defesa de Renan. "Quem me conhece sabe que jamais permitira que alguém fosse pressionado", disse em plenário em resposta ao líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (AM).     Veja também:   Cronologia do caso Renan     Denúncias contra Renan abrem três frentes de investigação  Veja especial sobre o caso Renan      Na sua vez, o líder do DEM no Senado, José Agripino, voltou a defender o voto aberto do relatório NO que pedirá a cassação ou o arquivamento do caso contra o senador "para transparência do processo". "Eu tenho muita concordância em relação ao voto aberto, mas preciso ter mais com a Constituição", respondeu o senador.  A Constituição de 1988 prevê apenas voto secreto quando o pedido de perda de mandato vai para o plenário do Senado e não há nenhum regra quanto à votação no Conselho de Ética da Casa.   "Eu abri mão de todos os meus sigilos. Nunca permiti que utilizasse a máquina federal para retirar ninguém. Eu sou democrata, mesmo sendo vítima do excesso de democracia, continuarei defendendo este tipo de modelo", afirmou. Renan disse ainda que cooperou com as investigações ao abrir seu sigilo, ao passar a coordenação dos trabalhos na Mesa do Senado ao senador Tião Viana e ao pedir ao Ministério Público para ser investigado.   A suposta pressão do senador se refere ao primeiro processo a que responde no Conselho de Ética. Ele é acusado de ter despesas pessoais pagas por um lobista e tenta provar que tinha recursos suficientes para não precisar dos recursos. Nesta quinta, o conselho tem em pauta a votação de dois relatórios sobre o mesmo caso. A decisão sobre a forma de votação, secreta ou aberta, cabe ao presidente do órgão, senador Leomar Quintanilha (PMDB-TO), que pode escolher se seguirá o parecer da consultoria.

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