Irregularidades no BEC começaram em 95, diz ex-superintendente

O ex-superintendente do Banco do Estado do Ceará (BEC) Josniel Carneiro disse que as operações irregulares no Banco do Estado do Ceará (BEC) começaram em fevereiro de 1995, pouco depois de o governador Tasso Jereissati (PSDB-CE) anunciar que iria privatizar o banco.Carneiro prestou depoimento, nesta terça-feira, na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que está apurando denúncias de operações irregulares que teriam sido praticadas no segundo mandato de Tasso como governador.Durante o depoimento, Carneiro citou o caso da LAM Confecções, que teria recebido R$ 68,5 milhões. Parte do dinheiro - R$ 1,7 milhão - teria sido emprestada sob garantida de duplicatas frias. Apesar do pequeno porte da empresa, o BEC teria dado limite de "câmbio para exportação" de US$ 400 mil. "A documentação relativa à empresa sumiu do BEC", denunciou Carneiro.O ex-superintendente citou outros casos, como o da empresa EIT, que teria recebido mais de R$ 22 milhões em empréstimos, comprometendo aproximadamente 30% do patrimônio líquido do BEC. De janeiro a junho de 1996, a dívida teria sido sistematicamente rolada, sem reforço de garantias e com autorizações isoladas do então presidente do banco, José Monteiro de Alencar, sem passar por comitês de crédito.A GTF Construções Ltda, doadora de campanha de Tasso, teria tomado um empréstimo de R$ 7 milhões com o banco. Durante uma renegociação, a dívida teria sido reduzida para R$ 4 milhões. Apesar disso, a diretoria do banco liberou novos recursos, no valor de R$ 300 mil. O IOF da operação teria sido pago pelo próprio banco. Segundo a documentação entregue à CPI, a empresa responde por 27 falências, dezenas de ações executivas, 1.430 protestos, além de estar inscrita no cadastro de emitentes sem fundo do Banco do Brasil, BEC e Unibanco.Carneiro citou ainda a empresa Escolas Reunidas Ltda (Colégio Geo Studio), que seria de propriedade do ex-líder do PSDB no Senado e atual desafeto político de Tasso, o senador Sérgio Machado (PMDB desde outubro).Quando Machado ainda era aliado do governador cearense, sucessivas dívidas das Escolas Reunidas Ltda, teriam deixado um saldo devedor de R$ 670 mil. Uma carta de fiança teria sido liberada, no valor de R$ 1,08 milhão.Nesta quarta-feira, o empresário Francisco Sampaio distribuiu uma nota, afirmando que a empresa é de sua propriedade e que não recebeu tratamento privilegiado. Disse que, dos dois milhões do empréstimo feito junto ao BEC, já teriam sido pagos R$ 2.476.000,00. E que os R$ 670 mil restantes estão sendo questionados por ele na Justiça por se tratarem de juros sobre juros.Com base no depoimento do ex-superintendente, o deputado João Alfredo (PT), autor do pedido da instalação da CPI, está solicitando da Receita Federal a declaração de bens de nove ex-diretores do banco. O presidente da CPI, Mauro Filho (PPS), vai encaminhar o histórico das operações irregulares para os ex-diretores, para eles apresentarem defesa.

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