Irmão de suposto matador do prefeito é morto em Jandira

Polícia Civil acredita em envolvimento da vítima com crime organizado, mas não descarta ligação com execução Braz Paschoalin (PSDB), em 2010

Fausto Macedo, de O Estado de S. Paulo

30 de maio de 2011 | 20h53

Quatro tiros de armas de fogo .40 e 380 mataram o soldado da Polícia Militar Jairo Lemes de Aquino, de 39 anos, na noite de domingo, 29, em Jandira, Grande São Paulo. Jairo era irmão de Wanderlei Lemes de Aquino, ex-secretário municipal de Habitação, apontado como mandante de outro crime, o assassinato do prefeito da cidade, Braz Paschoalin (PSDB), em 2010.

 

"A hipótese principal é que a morte (de Jairo) tenha ocorrido por envolvimento com o crime organizado, mas não afasto a possibilidade de ligação com a execução do prefeito ou mesmo motivação passional", disse o delegado Zacarias Katzer Tadros.

 

O policial foi executado na porta da casa da amante, na rua Sete de Setembro, em Vila Mercedez. Um carro de cor escura, ocupado por quatro homens, parou quase em frente ao portão da residência. Um pistoleiro chamou a moradora pelo nome. Jairo saiu e foi alvejado - dois tiros o atingiram no peito. Com ele foi encontrada uma pistola Taurus 380 com numeração raspada.

 

Jairo estava de licença médica, para tratamento psicológico, havia seis meses. Ele já havia ficado preso três anos por tentativa de homicídio. A polícia suspeita que Jairo tenha sido um dos assassinos do vereador Marcio Soares de Almeida, em 27 de março de 2001. Um Ford Ka preto usado na emboscada ao vereador havia sido visto na garagem da casa de Jairo - seu irmão, Wanderlei de Aquino, que está preso pela morte do prefeito, era suplente de Almeida e na ocasião assumiu a cadeira na Câmara municipal.

 

Wanderlei está preso há seis meses. O crime teria sido encomendado por R$ 600 mil - uma parcela de R$ 200 mil chegou a ser entregue aos criminosos.

 

Pneu furado. Na manhã de 10 de dezembro, Braz Paschoalin saiu de casa no carro do motorista rumo a uma emissora de rádio onde ele participaria de um programa. O blindado que o prefeito usava habitualmente havia amanhecido com um pneu furado. A perícia contou 13 tiros de grosso calibre no automóvel em que estava Paschoalin. "O prefeito foi morto por uma briga pelo poder", concluiu o delegado Zacarias Tadros.

 

Wanderlei teria perdido espaço na administração. Ele nega o crime. Seu advogado, o criminalista Mauro Otávio Nacif, é enfático. "Não existe prova real contra Aquino. Ele é inocente."

 

O Ministério Público denunciou à Justiça 7 suspeitos. Para a promotoria, além de Aquino a execução teve outros dois mandantes, o ex-secretário municipal de Governo, Sérgio Paraizo, e um ex-candidato a vereador Anderson Elias Muniz, o Ganso.

 

O promotor Neudival Mascarenhas Filho acredita que o prefeito foi morto porque havia demitido Paraizo, seu antigo colaborador, e se desentendeu com Aquino, que também seria demitido do cargo.

 

Foram identificados processos fraudulentos de licitação, superfaturamento, desvios de recursos públicos e nomeação de servidores fantasmas. Os ex-secretários de Governo e de Habitação planejavam assumir o comando total desses esquemas.

 

 

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