Irmão de Renan escapa de punição na Câmara

Momentos depois de o Conselho de Ética ter aprovado o pedido de cassação do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), foi a vez de o deputado Olavo Calheiros (PMDB-AL) sentar-se no banco dos réus do colegiado da Câmara. Mas ao contrário do irmão, Olavo não precisou fazer nenhum esforço para convencer o conselho de sua inocência. À exceção de Chico Alencar (PSOL-RJ), todos os conselheiros saíram em sua defesa. Segundo a revista Veja, Olavo teria vendido à Schincariol, por R$ 27 milhões, a fábrica de refrigerantes Conny, de sua propriedade, mas que valeria no máximo R$ 10 milhões. "O julgamento não é da Schincariol e, sim, do deputado", argumentou o relator do caso, Sandes Júnior (PP-GO), que admitiu ter recebido R$ 50 mil da cervejaria para a campanha de 2006. Sandes confessou ter se reunido em seu gabinete com representantes da empresa, mas para tratar do caso. "Isso é um absurdo. O relator recebeu doação de campanha da Schincariol e deveria se julgar impedido de relatar esse caso", acusou Alencar. O Senado deverá arquivar representação semelhante contra Renan, que teria atuado em favor da cervejaria no INSS e na Receita Federal, após a venda da Conny. "Os representantes da cervejaria mostraram todas as certidões comprovando que não há débitos com o INSS ou a Receita", disse Sandes. Em duas horas de depoimento, Olavo recebeu a solidariedade dos integrantes do conselho contra as acusações de que seu nome estaria envolvido também em licitações investigadas na Operação Navalha, da Polícia Federal. "Tudo não passa de picuinha", resumiu o deputado Abelardo Camarinha (PSB-SP). "Não vi nada consistente nas denúncias", afirmou Paulo Piau (PMDB-MG). Assim como Renan, Olavo abusou dos adjetivos para se defender: disse que as denúncias não passam de "mentiras baratas", "ataques vulgares e gratuitos", além de afirmar ser alvo de "perseguição política" do PSOL.

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