Irmão de PC defende réus e critica ação de delegados do caso

Augusto Farias, que já chegou a ser suspeito da morte de ex-tesoureiro de Fernando Collor, afirma que recebeu proposta de acusar PMs em troca de proteção

Carlos Nealdo - Especial para o Estado,

07 de maio de 2013 | 21h52

Maceió - Considerado uma das principais testemunhas do julgamento de quatro policiais acusados de participação na morte de Paulo César Farias e sua namorada, Suzana Marcolino, o ex-deputado federal Augusto Farias, irmão de PC, reforçou nesta terça-feira, 7, a tese segundo a qual o episódio ocorrido na casa de praia do ex-tesoureiro de Fernando Collor em 1996 foi um crime passional.

Falando ao júri no segundo dia de julgamento em Maceió, ele afirmou ainda que os delegados Alcides Andrade e Antônio Carlos Lessa – que investigaram as mortes 17 anos atrás – fizeram uma proposta para que ele entregasse os quatro seguranças a fim de escapar de um indiciamento.

Augusto Farias chegou a ser apontado como suspeito pela morte do irmão. Seu caso foi remetido para o Supremo Tribunal Federal – porque ele tinha foro privilegiado por ser deputado – e acabou arquivado por falta de provas. Sobraram as suspeitas sobre os quatro policiais, que faziam a segurança de PC Farias e teriam, no mínimo, se omitido na noite das mortes, segundo afirma o Ministério Público.

No seu depoimento, Augusto Farias relatou ter dito o seguinte aos delegados quando recebeu a proposta de delação dos seguranças: “E a minha consciência? Como é que eu vou dormir entregando quatro inocentes nas mãos de vocês dois?”.

O juiz Maurício Breda chegou a repreender o irmão de PC Farias por causa da defesa enfática que fazia dos quatro réus.

O irmão de PC, além de defender a tese de que Suzana matou o ex-tesoureiro de Collor e depois se matou, banca os advogados dos quatro PMs acusados.

Os delegados não quiseram comentar ontem as declarações do irmão de PC. Eles devem ser convocados oficialmente para depor perante o júri.

Ainda em seu depoimento, Augusto Farias disse que seu irmão sabia que estava sendo traído por Suzana. Segundo ele, já depois do crime, Caio Ferraz do Amaral, a quem o ex-deputado chamou de procurador da família em São Paulo, afirmou que havia contratado um detetive para investigar a vida de Suzana. “Em seguida, entregou um relatório ao Paulo ”, disse Augusto Farias.

Ex-namorada do parlamentar, Milane Valente de Melo também foi ouvida ontem. Ela afirmou ter sido ameaçada de morte dias depois de os corpos de PC e Suzana serem encontrados. Ela não soube dizer de onde partiram as ameaças.

Término. Apontada como amante de PC Farias naquela época, Cláudia Dantas também prestou depoimento ontem. Segundo ela, o ex-tesoureiro de Collor disse, um dia antes das mortes, que pretendia terminar o relacionamento com Suzana.

Outra testemunha a prestar depoimento ontem foi Manoel Alfredo da Silva, que trabalhava como vigilante noturno na casa de praia de PC Farias. Ele disse que ouviu barulho de fogos de artifícios durante toda a noite, por isso não teria ouvido o barulho dos dois tiros que vitimaram o empresário e a namorada. “A entrada onde eu ficava é muito distante da casa onde o casal dormia”, afirmou ele.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.