Irmão de Genoino compara situação de petista a de Jango

Para deputado José Guimarães, ex-presidente do PT realizou um gesto 'grande' ao decidir pela renúncia

Ricardo Della Coletta, Agência Estado

03 Dezembro 2013 | 20h52

Brasília - Em um discurso encerrado com bate-boca, o líder do PT na Câmara dos Deputados, José Guimarães (PT-CE), chegou a comparar seu irmão, José Genoino, ao ex-presidente João Goulart e disse esperar que a história do parlamento seja reescrita."Quem sabe um dia este Parlamento não possa devolver o mandato de Genoino", disse, fazendo referência à devolução do mandato ao ex-presidente João Goulart, deposto pelo golpe militar de 1964, aprovada recentemente pelo Congresso Nacional.

A fala de Guimarães ocorreu após Genoino, condenado a 4 anos e 8 meses no processo do mensalão,ter apresentado sua carta de renúncia nesta terça-feira,3. Com a renúncia o ex-presidente do PT escapou do processo de disciplinar da Câmara que poderia levar à cassação de seu mandato.

"O Genoino deveria estar neste momento na tribuna, falando para a Casa de sua história neste Parlamento", afirmou o petista, que disse também que a renúncia foi um gesto "grande" de seu irmão."O Genoino foi categórico e disse a quatro deputados: 'o meu legado, a minha vida como socialista e como militante do PT não me permite mais a isso. O melhor caminho para proteger a nossa bancada e o PT é a renúncia'", continuou Guimarães.

Dos sete membros da Mesa Diretora, quatro sinalizavam apoiar a instauração do processo disciplinar contra o petista, dentre eles o próprio presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN). O vice-presidente da Casa, André Vargas (PT-PR) e o titular da quarta secretaria, Antonio Carlos Biffi (PT-MS), queriam o adiamento da decisão enquanto Genoino estivesse de licença médica.

O pronunciamento de Guimarães foi acompanhado em peso pela bancada do partido, mas havia poucos deputados da oposição em Plenário no momento do discurso.

História. Guimarães falou ainda que a história de seu irmão "se confunde" com a do PT e a da "democracia" e alegou ainda que "todo mundo sabe que ele é honesto e que não merece passar por isso". O líder da bancada petista classificou ainda de "martírio" os últimos dias vividos por seu irmão, que cumpre prisão domiciliar na casa de uma filha em Brasília, depois de ter ficado internado por alguns dias num hospital, também na capital.

Ao final de seu discurso, Guimarães teceu críticas aos membros da Mesa Diretora que apoiaram a abertura de um processo disciplinar contra Genoino. "Este dia para mim diminui o Parlamento brasileiro. Talvez o gesto dele (renúncia) seja maior de quem queria a abertura do processo de cassação".

Pouco antes de encerrar sua fala, Guimarães foi interrompido pela deputada Liliam Sá (PROS-RJ). Ela usou de um microfone em Plenário para dizer que "o Brasil não quer ouvir isso". A intervenção gerou confusão no Plenário e houve bate-boca entre a parlamentar do PROS e os petistas que acompanhavam o pronunciamento.

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