Irmã é braço direito de Aécio no governo de Minas Gerais

Quando Aécio Neves, em 1982, foi surpreendido com um convite do avô, Tancredo, para que largasse a vida no Rio e o acompanhasse durante a campanha ao governo de Minas, sua irmã mais velha, Andréa Neves da Cunha, era uma dedicada militante de esquerda.Algo natural para os irmãos que cresceram em meio a reuniões políticas e disputas eleitorais. Mas, ao contrário do irmão, Andréa preferiu atuar nos bastidores. E desde que o tucano assumiu o Palácio da Liberdade, em 2002, tornou-se seu braço direito e principal conselheira.No começo, atuou como uma espécie de "executiva" na organização do governo. Depois concentrou seu papel na coordenação do direcionamento dos gastos com publicidade. Jornalista por formação, Andréa preside o Grupo Técnico de Comunicação Social, vinculado à Secretaria de Governo. Apenas para a administração direta - que não inclui as empresas estaduais -, o valor da verba publicitária que consta no Orçamento para 2007, aprovado pela Assembléia, é de R$ 27,853 milhões.Não há nada ilegal nessas atividades. Além delas, Andréa preside o Serviço Voluntário de Assistência Social e se empenha com extremo cuidado em preservar a imagem do irmão. "Ela foi ocupando cada vez mais espaço e passou a ser a guardiã da imagem dele", opina o sociólogo Rudá Ricci, crítico observador do governo estadual."Ela tem uma discrição externa, porque internamente é uma das pessoas mais temidas e respeitadas no governo Aécio", avalia Ricci. Andréa, diz ele, é tão respeitada quanto o vice-governador, Antônio Augusto Anastasia, tido como o "gerentão" da administração.No meio acadêmico e nas redações, a jornalista - que participou da fundação do PT e das Diretas Já - foi apontada como responsável por uma suposta política de cerceamento da imprensa mineira pelo Palácio da Liberdade, o que o governo nega. Pessoas próximas confirmam que Andréa nunca ocupou função decorativa."Aécio é o marketing, a sedução, a capacidade de ser popular. Andréa é o alter ego, sua consciência, sua bússola. Aécio é a cigarra, Andréa é a formiga", define o diretor de teatro Pedro Paula Cava. Procurada pelo Estado, Andréa não quis se manifestar.

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