Irmã de pecuarista morto no Pará denuncia ameaças

A trabalhadora rural Ivanilde Prestes Alves, de 35 anos, irmã do pecuarista Adilson Prestes, de 28, assassinado com seis tiros no sábado pela manhã por dois pistoleiros na porta de sua casa, na Gleba Curuá, em Novo Progresso, a 1.691 km de Belém, denuncia estar também "marcada para morrer", juntamente com seus três filhos menores, seu companheiro, Aparecido Souza, e um irmão dela, Ademir Prestes. "Nós estamos apavorados, trancados dentro de casa, depois que mataram meu irmão, porque eles, os madeireiros, prometeram que vão fazer a mesma coisa com a gente", contou Ivanilde.Adilson Prestes vinha denunciando grilagem de terras e roubo de madeira de reservas indígenas no sudoeste do Pará, além do envolvimento de policiais militares com o crime organizado que impera na região. As autoridades paraenses ignoraram suas denúncias. Prestes andava armado, temendo ser assassinado, mas a polícia o indiciou por porte ilegal. Ivanilde pediu a interferência de entidades de direitos humanos e de procuradores do Ministério Público Federal e Estadual, além do governador Simão Jatene para não ser a próxima vítima dos crimes de encomenda. O promotor de Justiça, Mauro Mendes de Almeida, que em julho de 2002 levou Adilson Prestes à polícia em Belém para denunciar as ações do crime organizado, disse que o pecuarista deveria ter recebido a proteção das autoridades. "É lamentável tudo isso. Houve omissão em resguardar a integridade do denunciante", resumiu Mendes. ProteçãoO chefe da Divisão de Investigações e Operações Especiais (DIOE), delegado Roberto Teixeira, informou ao ESTADO que o delegado José Alcântara segue hoje de Belém para Novo Progresso, com outros policiais, onde deve se juntar a mais quatro policiais e ao delegado de Santarém, Edilberto, para investigar a morte de Adilson Prestes. O pecuarista foi sepultado ontem em Novo Progresso. Os matadores de Prestes continuam foragidos, mas foram reconhecidos por uma sobrinha da vítima, que evita falar sobre o crime, temendo represálias. Teixeira disse que o delegado Edilberto conversou no sábado com Ivanilde. Muito abalada, ela afirmou que primeiro pretendia enterrar seu irmão para só depois receber a proteção policial. Um investigador deve acompanhar Ivanilde nesta segunda-feira de Novo Progresso até Santarém, onde ela irá prestar depoimento e contar tudo o que sabe. O chefe da DIOE deve solicitar a inclusão de Ivanilde e seus familiares no Programa de Proteção à Testemunhas do governo estadual, o Provita. Veja mais informações sobre o assunto no link abaixo.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.