Irmã de PC Farias é condenada por trabalho escravo

A Justiça do Trabalho determinou o bloqueio da conta bancária, a indisponibilidade dos bens e a quebra dos sigilos bancário e fiscal de Eleuza Farias, irmã do ex-tesoureiro de campanha do ex-presidente Fernando Collor de Mello, e da fazenda da família, a Santa Ana Agropecuária Industrial S/A, no município Cumaru do Norte (PA). O Grupo Móvel do Ministério do Trabalho, que faz inspeção em fazendas suspeitas de explorarem o trabalho escravo, autuou no início deste mês a fazenda e determinou o pagamento dos direitos trabalhistas a 103 trabalhadores. A assessoria do ministro do Trabalho e Emprego, Jacques Wagner, informou que a família se recusou a fazer os pagamentos e entrou na justiça questionando a determinação do Grupo Móvel. Na última sexta-feira, o juiz do Tribunal Regional do Trabalho (TRT) da 8ª Região, Sérgio Chaves Polastro, concedeu liminar atendendo a solicitação do procurador do Ministério Público do Trabalho, Loris Rocha Pereira Júnior, que entrou com uma ação civil coletiva junto ao TRT, solicitando o pagamento das indenizações dos trabalhadores em regime de trabalho escravo. Caberá agora ao Banco Central, segundo a liminar, determinar o bloqueio das contas bancárias da fazenda e de Eleuza Farias, administradora da propriedade rural. O procurador informou que vai solicitar ao Ministério Público Federal providências para suspender os repasses do Fundo de Investimento da Amazônia (Finam), da extinta Superintendência de Desenvolvimento da Amazônia (Sudam). A Fazenda Santa Ana recebeu nos últimos anos R$ 1,6 milhão do Finam, segundo informou o Ministério do Trabalho. O procurador também quer saber se é possível a devolução dos recursos e a realização de uma auditoria para verificar a utilização dos recursos. "O governador brasileiro não pode continuar financiando a exploração do trabalho escravo permitindo o repasse de recursos da Sudam para fazendas onde o Ministério do Trabalho já verificou a existência de trabalho escravo. É o mesmo que entregar uma arma ao bandido para ele assaltar e matar", disse o procurador Pereira Júnior. O ministro do Trabalho, Jacques Wagner, que estava em Foz do Iguaçu participando do Congresso Internacional de Saúde do Trabalhador, disse que concorda com a posição do procurador. "Todos os proprietários que tenham trabalho escravo não podem receber recursos públicos", endossou. É considerado trabalho escravo a manutenção de trabalhadores sob vigilância armada ou em fazendas onde os trabalhadores não tenham como deixar o local, seja por distância para outros locais, seja por dificuldade de acesso.

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