Irmã de Mello integra lista de nepotismo da Anamatra

Levantamento realizado pela Associação Nacional dos Magistrados da Justiça do Trabalho (Anamatra) constatou que existem atualmente 48 casos de nepotismo em 7 dos 17 tribunais regionais (TRTs) brasileiros. A lista de parentes de juizes favorecidos com empregos é encabeçada por Lucianita Mendes Pimenta de Mello, mulher do juiz do TRT da 1ª Região Luís Augusto Pimenta de Mello e irmã do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Marco Aurélio Mello, que até esta terça-feira estará no exercício da Presidência da República. Procurada pela reportagem do Estado, Lucianita disse que o seu caso está sob judice e que não é de nepotismo e encerrou a entrevista. O presidente do STF também evitou comentar o caso, "alegando questões ética e familiar", embora já tenha manifestado, em diversas ocasiões, ser contra o nepotismo, inclusive em julgamentos de ações no Supremo.O presidente da Anamatra, Hugo Melo Filho, explicou que o caso de Lucianita é considerado pela entidade como nepotismo não pelo parentesco com Marco Aurélio, mas pela ligação com o juiz Pimenta de Mello. Isso porque ela trabalha no TRT da 1ª Região, onde o marido é juiz. A Anamatra divulgou na semana passada a lista dos parentes de magistrados que ocupam cargos de confiança nos TRTs. Dois dias depois, a Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB) iniciou uma campanha para acabar com o nepotismo nas Justiças Estaduais, encaminhando projetos de leis para as assembléias legislativas com esse objetivo.Hugo Melo Filho disse ontem que "é lamentável que ainda existam casos de nepotismo na Justiça do Trabalho". Mas afirmou que a ocorrência atual é considerada baixa no segmento em comparação a um passado recente. Ele explicou que a redução no emprego dos familiares deveu-se, em grande parte, à lei 9421, de 1996, que proibiu no Judiciário da União a nomeação para cargos comissionados de cônjuges e parentes até terceiro grau. "Atualmente temos mais ou menos 50 mil servidores na Justiça do Trabalho e 48 estão ocupando seus cargos de forma irregular", contou o juiz, concluindo que o desejável seria que não houvesse nenhum caso.

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