'Irei à CPI quantas vezes me chamarem', diz Lacerda

Diretor foi afastado temporariamente da Abin para dar 'transparência' às investigações da PF sobre grampos

Leonencio Nossa, de O Estado de S. Paulo,

04 de setembro de 2008 | 12h51

O diretor afastado da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), Paulo Lacerda, disse nesta quinta-feira, 3, não acreditar que o banqueiro Daniel Dantas esteja por trás das escutas clandestinas no Supremo Tribunal Federal (STF). Após descer o elevador do Palácio do Planalto, ele ressaltou que pretende comparecer à CPI do Grampo, na Câmara, para prestar depoimento sobre suspeitas de interceptações clandestinas. "Eu irei à CPI quantas vezes me chamarem", afirmou. "O que pudermos colaborar vamos colaborar."   Veja Também: Planalto já recebeu projeto de punição ao grampo, diz Genro PF descarta ação institucional da Abin, afirma Demóstenes CPI dos Grampos convoca Jobim e diretores da Abin e PF Entenda as acusações de envolvimento da Abin com grampos  Veja como foi o depoimento do diretor à CPI  Diretor afastado admite que 'maleta' da Abin pode fazer grampo Especial explica a Operação Satiagraha  Multimídia: As prisões de Daniel Dantas  Lula manda investigar compra de 'maleta de grampo' na Abin Crise acirra disputa entre Polícia Federal e Abin   Em rápida entrevista, Lacerda disse que aguarda o resultado das investigações da Polícia Federal, que apura a autoria das escutas nos telefones de autoridades como o presidente do STF, Gilmar Mendes, e o senador Demóstenes Torres (DEM). "A Polícia Federal tem todas as condições de esclarecer os fatos, é o que a gente espera", disse. Lacerda, embora afastado temporariamente da Abin, está vinculado ao Gabinete de Segurança Institucional, órgão que funciona no palácio. O gabinete é chefiado pelo ministro Jorge Félix.   A uma pergunta se espera retornar ao comando da Abin daqui a dois meses, ao final da sindicância, Lacerda respondeu apenas que está confiante de que o fato será esclarecido. Quando questionado sobre o suposto envolvimento de Daniel Dantas nas escutas, como cogitaram setores do governo e da Abin, Lacerda disse: "Não acredito".   Ele salientou estar tranqüilo em relação às denúncias e à repercussão política das suspeitas de grampos. "Estou com 62 anos, já não tenho motivos de ficar chateado, essas coisas acontecem", disse. Lacerda confirmou ter conversado com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, antes do afastamento da Abin. "Ele (Lula) disse apenas que espera que o fato seja esclarecido completamente", completou. Na última segunda-feira, o Planalto divulgou nota ressaltando que Lula afastou temporariamente o diretor da Abin para dar "transparência" às investigações da Polícia Federal.

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