IPM desmente nota da Marinha sobre Tonelero

O inquérito policial militar (IPM) que apura o naufrágio do submarino Tonelero S-21, em 24 de dezembro, diz que, pouco antes do acidente, os nove militares que estavam de serviço participaram de uma ceia. Não é o que diz a Marinha. Em nota oficial, ela sustentara que "as investigações concluíram não ter ocorrido nenhum tipo de festa a bordo". Procurada pela reportagem, a Marinha informou que nada pode dizer, pois o inquérito corre em segredo de Justiça. A reportagem, porém, teve acesso a ele. As informações que constam do inquérito são de que os militares participaram de uma ceia que durou cerca de uma hora e meia, na qual foi consumida uma garrafa de vinho de 700 ml e farta quantidade de peru assado, farofa, arroz, rabanada, nozes e frutas.Três oficiais foram indiciados, entre eles o comandante do submarino, o capitão-de-fragata Carlos Eduardo Gütschow Palhas. Em seu depoimento, o primeiro-tenente Luiz Fernandes Silveira Candeias Segundo, oficial-de-serviço, relata que "a ceia durou das 19h30 às 21 horas, entre a preparação e o término propriamente dito". Segundo ele, que foi um dos indiciados, os militares a bordo participaram da confraternização. "Os termos de inquirição mostram que houve ceia a bordo, em substituição ao jantar de rotina, na qual foi consumida uma garrafa de vinho (700 ml) pelos nove tripulantes, e só esses participaram da ceia", diz um trecho das considerações finais do IPM, assinado pelo capitão-de-mar-e-guerra Pedro Fava, que tem os carimbos de "Confidencial" e "Urgente".

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