Ioga pode ser regulamentada em 2003

Os profissionais da ioga podem ganhar um conselho que regulamente a profissão no ano que vem. Um projeto de lei do deputado federal Aldo Rebelo (PC do B) que propõe a criação do Conselho Federal de Yoga já tramita no Senado e, no começo de 2003, deve passar por uma audiência pública para, então, ser encaminhado à votação. A nova entidade tornou-se necessária desde que, no ano passado, os instrutores de ioga do País passaram a ser obrigados a se filiar ao Conselho Federal de Educação Física, afirmam os profissionais da área. "Para trabalharmos em academias, por exemplo, agora temos de nos filiar ou fazer um curso superior de educação física", explica a presidente do Sindicato Nacional dos Profissionais de Yôga, Rosana Ortega. "Essa exigência é absurda porque ioga não é um tipo de ginástica. E não podemos mais correr o risco de perdermos nossos empregos se não nos filiarmos a um conselho que não tem a ver com nossa profissão." Há menos de um mês, a instrutora de ioga Heloiza Gabriolli, de 43 anos, foi demitida de uma academia de ginástica renomada da cidade porque se negou a filiar-se. "Não faz o menor sentido a ioga estar sendo tratada neste conselho. Não somos educadores físicos." Rosana explica que a maioria dos instrutores de ioga é a favor da regulamentação da profissão, desde que ela seja feita corretamente. "Se nosso trabalho for malfeito, os alunos podem ser prejudicados e é por isso que precisamos ter regras definidas de formação e fiscalização dos instrutores", diz. "Mas isso deve ser feito com seriedade." Ela explica que a proposta é formar uma entidade que contemple todas as linhas da ioga do País (são cerca de 30) e garanta a representatividade de cada uma. "Nenhum grupo poderá ter maioria no conselho", afirma. Assim, todas as correntes participariam e também teriam seu nome garantido, independentemente da grafia ou da pronúncia. "Pode parecer um detalhe, mas exercemos uma atividade milenar e é importante, para cada grupo, que seu nome seja preservado, seja ele ioga, yoga, yôga ou yóga", garante. "Entramos em um acordo e, no texto da lei, a grafia será yoga." Para discutir questões como a formação da diretoria da nova entidade, no domingo que vem, lideranças de todo o País estarão reunidas em Curitiba. "Vamos definir as linhas gerais de atuação e debater pontos, como a formação dos profissionais", diz a presidente da Federação de Yôga de São Paulo, Nina de Holanda. "Todas as tradições serão mantidas porque a diversidade é muito grande." Rosana explica que há linhas de ioga que trabalham apenas com a meditação, outras com respiração, algumas com mantras. "Todas têm de ser respeitadas e acredito que deveremos ter uma ética profissional geral e, então, a definição das particularidades de cada grupo." No Brasil, há 5 milhões de praticantes e 50 mil profissionais. "São Paulo é o Estado com mais adeptos. E a procura não pára de crescer", diz Nina. Oposição - Mas há quem discorde da criação da nova entidade. Para Marcos Rojo Rodrigues, professor de educação física e de ioga da Universidade de São Paulo, a ioga deve continuar fazendo parte do conselho de educação física porque será mais fácil fazer a fiscalização dos profissionais. "Em um conselho próprio, acho que isso pode ser mais complicado por causa do corporativismo", afirma. "Acredito que o melhor é criar um grupo dentro do conselho que já existe para definir as regras e organizar os cursos de formação dos instrutores." Já o diretor-executivo da Aliança do Yoga, Anderson Alegro, acredita que a melhor saída é não ter nenhum conselho. "A ioga é uma atividade livre. Na Índia não existe nenhuma regulamentação", explica. "É complicado formar uma entidade que contente tantas linhas, com tantas diferenças. A diversidade é enorme e só daria certo se houvesse muita, mas muita discussão." Rosana, no entanto, acredita que a regulamentação da profissão será positiva para toda a sociedade. "A ioga perderá sua característica se passar para as mãos de um profissional de educação física sem preparo. Temos de lutar para manter a tradição."

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