Investimento teria de dobrar, diz Exército

País gasta US$ 680 mi com Forças Armadas, mas ideal seria US$ 2 bi

O Estadao de S.Paulo

04 de novembro de 2007 | 00h00

Na semana passada, na mesma audiência da Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional em que depôs o ministro Nelson Jobim (Defesa), o comandante do Exército, general Enzo Martins Peri, apresentou dados comparando os gastos das Forças Armadas brasileiras e os dos países vizinhos, proporcionalmente ao Produto Interno Bruto (PIB) de cada um. Peri evitou focar a Venezuela como líder de uma corrida às armas, mas o gráfico exibido aos deputados era auto-explicativo.O general mostrou que o Chile tem aplicado US$ 2,7 bilhões por ano em suas Forças Armadas, a Venezuela, US$ 6 bilhões por ano, a Colômbia, US$ 3,7 bilhões nos últimos quatro anos, além dos US$ 3,9 bilhões que os Estados Unidos repassarão ao país nos próximos sete anos. Já o Brasil, em 2007, vai gastar em torno de US$ 680 milhões. O mínimo desejado, disse, seria investir US$ 2 bilhões por ano.O general disse que as Forças Armadas estão "aquém" das necessidades de defesa e é preciso investir para a "própria casa". "A nossa prioridade é a Amazônia, contra quem quer que seja." A palavra-chave, afirmou, é "dissuasão".Segundo ele, o Exército tem 70% dos blindados Leopardo indisponíveis, assim como 55% dos blindados M113B, 45% dos blindados Urutus, 43% dos blindados M60, 42% dos blindados Cascavel, 42 % das viaturas de até 1,5 tonelada e 35% das viaturas de 2,5 a 5 toneladas. No caso dos blindados, 78% dos 1.437 que o Exército possui têm mais de 34 anos; 58% das viaturas têm mais de 20 anos e a maior parte do material de artilharia de campanha é originária da Segunda Guerra Mundial."Nestas comparações", justificou o comandante do Exército, "perdemos para todos os nossos principais vizinhos e a responsabilidade territorial do Brasil é equivalente à de todos os outros países sul-americanos juntos." O armamento individual usado pelos soldados, o FAL (Fuzil Automático Leve) já tem 42 anos de uso. E o Exército "enfrenta séria restrição de munição, o que compromete o adestramento da tropa", afirmou.O Exército tem hoje cerca de 900 quartéis, apenas 71 deles nas fronteiras. Na opinião do general, não adianta aumentar o número de quartéis na fronteira porque, "antes, é preciso dar condições de operacionalidade aos já existentes". Ele quer R$ 6,708 bilhões para investir nos próximos oito anos. "Há que se pensar em um aporte regular de recursos extra-orçamentários para investimento em material de emprego militar porque o Brasil precisa recompor o equilíbrio da balança dissuasória regional", disse.

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