Investimento no social será desviado para energia

O governo poderá remanejar verbasalocadas para projetos sociais neste ano e em 2002 para ampliar os investimentos em infra-estrutura do setor energético, paraampliar a oferta de energia sem comprometer o desempenho fiscal do setor público.O programa ?Avança Brasil?, que selecionaos 50 principais projetos do governo Fernando Henrique, destina neste ano 83% do montante total de R$ 67,2 bilhões para a áreasocial. A área de infra-estrutura ficou com apenas 12% dos recursos.?Nenhuma fonte de recursos para financiar o plano de emergência está descartada, porque o governo não abre mão de manter oequilíbrio fiscal?, disse nesta terça-feira ao Estado uma fonte da área econômica.Na avaliação dos gestores de vários programas sociais não será possível utilizar a totalidade dos recursos destinados nesteano, porque o investimento requer preparativos legais e operacionais ainda não concluídos.Conseqüentemente, haverá recursosociosos, principalmente nas áreas de educação e saúde, como o bolsa-escola e saneamento básico.O fundo de combate àpobreza, que regulamenta a utilização dos recursos pela área social, por exemplo, aguardava ainda nesta terça-feira à noite a aprovaçãopela Câmara dos Deputados.A medida provisória que cria a Câmara de Gestão da Crise de Energia dá poderes ao ministro Pedro Parente para realocarrecursos orçamentários para projetos prioritários, destinados a ampliar a oferta de energia e estimular a racionalização doconsumo.O secretário de Planejamento do Ministério do Planejamento, José Paulo da Silveira, disse ao Estado que ainda nãorecebeu nenhuma nova recomendação sobre os investimentos em infra-estrutura.Ele está imprimindo ritmo mais aceleradona condução dos projetos, diante do quadro da crise energética vivido pelo País.Mas admite que poderá antecipar resultados se houver mais recursos disponíveis.Os projetos de 22 termelétricas, 15 hidrelétricas e novos 7.000 quilômetros em linhas de transmissão de energia, previstos no "AvançaBrasil" para até o final de 2002, equivalem quase a uma nova usina de Itaipu, em geração de energia.Enquanto Itaipu produz 12 milmegawatts, os projetos ampliarão a oferta em 11,1 mil mw, segundo Silveira.Para 2001, os investimentos estão orçados em R$ 5,5 bilhões para as termelétricas, R$ 1,9 bilhão para as hidrelétricas e R$ 930 milhões para as linhas de transmissão.Segundo Silveira, os projetos foram selecionados pelo potencial de sucesso, e a capacidade geradora é medida nas fases de entrada emfuncionamento fixadas para as usinas.Diante da crise, ele colocou os projetos sob gerenciamento intensivo, para que nenhumadificuldade atrase o cronograma. Com mais dinheiro, o cronograma pode ser acelerado.

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