Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

Investigadores partiram de suspeita de uso de 'muitos laranjas' por Collor

Uma das principais suspeitas recai sobre os carros de luxo do senador, que estão em nome de empresas e não do parlamentar

Beatriz Bulla e Talita Fernandes, O Estado de S. Paulo

17 de julho de 2015 | 19h18

Brasília - A investigação sobre o senador Fernando Collor (PTB-AL) foi a que exigiu maior número de buscas e apreensões entre as realizadas na Operação Politeia, na qual Polícia Federal e Procuradoria-Geral da República recolheram informações nas casas e escritórios de políticos. As suspeitas sob Collor, que já é investigado perante o Supremo Tribunal Federal (STF) no âmbito da Operação Lava Jato, foram reforçadas a partir das delações premiadas do "emissário" do doleiro Alberto Youssef, Rafael Ângulo, e do dono da UTC, Ricardo Pessoa. Os investigadores partiram da suspeita de que o parlamentar tenha praticado ocultação de patrimônio usando "muitos laranjas".

 

Uma das principais suspeitas recai sobre os carros de luxo do senador, que estão em nome de empresas e não do parlamentar. Dois dos carros luxuosos apreendidos, por exemplo, estão no nome da empresa Água Branca Participações. Com isso, investigadores apontam que Collor sequer pode solicitar a devolução dos veículos à Justiça, pois só os proprietários podem fazer a solicitação, se comprovarem que têm recursos para efetuar a compra.

Investigadores relatam ter bloqueado um quarto carro de luxo na residência do senador, da marca Cadillac, mas deixado o veículo à disposição do parlamentar para uso dele e da família enquanto correm as investigações. 

 

Com três senadores, um deputado, um ex-deputado e um ex-ministro envolvidos nas buscas, procuradores tentaram blindar as medidas de qualquer alegação de nulidade.  Os investigadores relatam ainda preocupação com os casos de "camuflagem" de endereços, que foram checados mais de uma vez. Na véspera da realização da Operação, quatro endereços precisaram ser corrigidos ou ampliados.

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) chegou a ser acordado durante a madrugada para autorizar as alterações. Por esse que motivo que mais de um ministro autorizou as buscas e apreensões. As primeiras autorizações foram assinadas no dia 1 de julho, pelo ministro relator do caso, Teori Zavascki. As demais foram autorizadas pelos ministros Celso de Mello e Ricardo Lewandowski, que assumiram o plantão da Corte no período de recesso. 

 A reação de Collor e do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), que criticaram a operação, foi vista com normalidade. Dentro da PGR, investigadores dizem já estarem cientes que, na Lava Jato, "calmaria não vai existir". Mesmo assim, consideram que a Politeia foi realizada sem grandes dificuldades.

 

A Operação, que envolveu 53 mandados de busca e apreensão em seis Estados e no Distrito Federal, ocorreu durante toda a terça-feira, até o final do dia. As ações tiveram início por volta das 6 da manhã e só terminaram em torno de 21h. Para operacionalizar as buscas, procuradores viraram a noite.

 

A avaliação de investigadores é de que as buscas no Recife, que envolveram o senador Fernando Bezerra (PSB-PE) e o deputado federal Eduardo da Fonte (PP-PE), "deram muito trabalho e trouxeram pouco retorno". Já outros casos foram mais bem sucedidos, como as buscas ligadas ao senador Ciro Nogueira (PP-PI), na qual há entendimento de que as provas já estão "mais materializadas". 

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