Investigado pela PF por venda de parecer concorda em depor no Senado

Ex-diretor da Anac Rubens Rodrigues Vieira deve ir à comissão na próxima quarta-feira para falar sobre o esquema revelado pela Operação Porto Seguro

Rosa Costa, da Agência Estado

05 de dezembro de 2012 | 14h09

BRASÍLIA - O ex-diretor da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) Rubens Rodrigues Vieira aceitou o convite para depor na Comissão de Infraestrutura do Senado (CI). Ele foi afastado do cargo, juntamente com o irmão, Paulo Rodrigues Vieira, ex-diretor da Agência Nacional de Águas (ANA), depois da Operação Porto Seguro da Polícia Federal, que identificou esquema de venda de pareceres técnicos de órgãos públicos a grupos interessados. De acordo com as investigações da PF, a ex-chefe de gabinete da Presidência da República em São Paulo Rosemary Nóvoa de Noronha teria acertado a nomeação dos irmãos Vieira com o então presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Autor do convite a Rubens Vieira, o líder do PSDB, senador Alvaro Dias (PR) disse que ele respondeu ao ofício da comissão dizendo que não poderia comparecer nesta quarta-feira, mas que estará disponível em uma nova data. O convite para depor foi aprovado na CI na última quinta-feira, 29, por causa de um cochilo dos governistas que chegaram atrasados à sessão. Como Rubens Vieira estava preso na ocasião, o líder do PT, senador Walter Pinheiro (BA), ironizou o convite, dizendo que o ex-diretor da Anac não compareceria.

Dias disse que espera ouvir de Vieira, provavelmente na próxima quarta-feira, 12, dados sobre o esquema e o envolvimento de outros servidores. "Vamos ouvi-lo sobre sua participação no escândalo", afirmou, lembrando que o próprio governo tratará de "blindar" as declarações do depoente. "Como, aliás, faz em todos os casos que respingam no próprio governo", ressaltou.

Por falta de quorum, o presidente da Comissão de Constituição e Justiça do Senado (CCJ), Eunício Oliveira (PMDB-CE), adiou para a próxima quarta-feira, 12, a votação de outros requerimentos do líder tucano. Desta vez, chamando para depor o ministro-chefe da Secretaria de Portos da Presidência (SEP), Leônidas Cristino, sobre a participação no esquema de vendas de pareceres do secretário-executivo Mário Lima Júnior, acusado de negociar com a quadrilha pareceres técnicos de um projeto de interesse do grupo.

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