Investigado na Lava Jato, Pezão diz que já foi 'julgado e condenado'

Investigado na Lava Jato, Pezão diz que já foi 'julgado e condenado'

Após abertura de inquérito, governador do Rio reclama que 'só agora' terá chance de defesa e se diz vítima de 'denúncia política'

O Estado de S. Paulo

13 de março de 2015 | 12h52


RIO - O governador Luiz Fernando Pezão (PMDB) afirmou nesta sexta-feira, 13, já ter sido "julgado e condenado" em razão das acusações feitas pelo ex-diretor de Abastecimento da Petrobrás Paulo Roberto Costa, em sua delação premiada nas investigações sobre corrupção na estatal. "Estou sendo acusado de ter participado de uma reunião que nunca ocorreu. É uma denúncia política", disse Pezão.

O depoimento de Paulo Roberto Costa, delator da Operação Lava Jato, serviu de base para a abertura de inquérito por parte do Superior Tribunal de Justiça (STJ), nessa quinta-feira. Além de Pezão, a investigação vai atingir o ex-governador fluminense Sérgio Cabral (PMDB).

De acordo com o delator, em 2010 Pezão, então vice-governador, e o então governador Sérgio Cabral Filho (PMDB) e o secretário da Casa Civil, Régis Fichtner, participaram com ele de uma reunião para combinar a arrecadação de fundos para a campanha da reeleição ao governo fluminense. Cabral e Régis também negam as acusações.

Segundo a Procuradoria, Cabral e Pezão agiram juntos, com colaboração do ex-secretário, para receber R$ 30 milhões em 2010 de empresas contratadas pela Petrobrás para a construção do Comperj. No entendimento da Procuradoria,  o recebimento da propina foi feito por meio do ex-diretor.

O ministro do STJ aceitou também pedidos da procuradora para efetuar diligências, a fim de aprimorar a investigação dos fatos narrados pelos delatores da Lava Jato. No inquérito para apurar o envolvimento de Cabral, Pezão e Fichtner, a Procuradoria pediu que sejam coletados documentos, vídeos e registros de entradas e saídas do hotel Caesar Park em Ipanema, zona sul do Rio, onde teria ocorrido a reunião em 2010.

Nesta sexta, Pezão reclamou que só agora terá direito de defesa. "Tenho 32 anos de carreira pública e lamento muito ter de passar por esse tipo de exposição. Já fui julgado e condenado e só agora vão me dar o direito de defesa", afirmou.

O governador disse que já tornou públicas as declarações de bens e de renda, no começo do ano. "Tenho certeza de que a verdade vai aparecer. Confio na Justiça", afirmou Pezão, ressaltando não ter sido oficialmente notificado pela Justiça.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.