ED FERREIRA/ESTADAO
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Investigado na Lava Jato, Collor investe contra Ministério Público

Senador que está na mira da Justiça pediu, sem justificativa, informações sobre diárias de viagens e passagens de procuradores que residem fora de Brasília

Isadora Peron e Talita Fernandes, O Estado de S. Paulo

26 de março de 2015 | 18h27

Brasília - Investigado na Operação Lava Jato, o senador Fernando Collor de Mello (PTB-AL) protocolou nesta quinta-feira, 26, dois pedidos para que o Ministério Público envie informações sobre passagens e diárias dos integrantes do órgão ao Senado. 

Num dos requerimentos, Collor pede para ter acesso aos nomes dos membros do Ministério Púbico que não residem no Distrito Federal. No outro, solicita uma relação dos gastos com passagens e diárias do órgão desde 2011.


Desde que o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, divulgou que Collor seria investigado com um dos políticos beneficiados pelo esquema de pagamento de propinas na Petrobrás, o senador e ex-presidente da República tem feito reiteradas críticas ao órgão. 

Nos requerimentos protocolados nesta quinta, o senador não apresentou uma justificativa para os pedidos, mas, nos bastidores, a iniciativa foi entendida como mais um passo na batalha que ele tem travado com o Poder Judiciário. 

Em discurso na tribuna do Senado essa semana, Collor acusou Janot de não ter "estatura moral" para estar no cargo e atuar como "justiceiro".  Ele também questionou o "empoderamento" que o Ministério Público vem sofrendo nas últimas décadas, chamou os procuradores de "grupelho" e acusou o órgão de querer se "tornar um Poder acima dos Poderes". 

Doleiro. Em sua delação premiada, o doleiro Alberto Youssef afirmou que entregou dinheiro ao senador diversas vezes, por meio de seus funcionários que levaram quantias em espécie na casa do parlamentar em Alagoas e em um apartamento em São Paulo. Segundo Youssef, um emissário de Collor teria ido a seu escritório receber dinheiro. O ex-presidente é investigado pelo Supremo Tribunal Federal.

“Eu fiz vários depósitos para o Fernando Collor e isso já faz algum tempo. Creio que 2010, 2011, não me lembro. Não sei precisar a data”, disse Youssef. “Não sei especificar exatamente os valores. Mas teve vez que foi R$ 200 mil, R$ 300 mil. Sempre mais ou menos nesses valores.”

O procurador-geral da República Rodrigo Janot aponta “indícios veementes” de crimes de lavagem de dinheiro e evasão de divisas envolvendo Collor. Ele pediu que o senador seja ouvido para que “apresente sua versão sobre os fatos”.

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