Investigado, Ciro Nogueira diz que PF 'exagerou' em operação no Senado

Senador do PP do Piauí afirma que ação que prendeu servidores da Polícia Legislativa na Casa criou 'uma celeuma muito grande' e acrescenta que pediu varredura por desconfiar de 'escuta clandestina'

Jamil Chade, correspondente, O Estado de S.Paulo

25 de outubro de 2016 | 11h20

GENEBRA - Investigado na Lava Jato, o senador Ciro Nogueira (PP-PI), afirmou nesta terça-feira, 25, que a ação da Polícia Federal ao deflagrar a Operação Métis, na sexta-feira passada, 21, contra servidores da Polícia Federal no Senado foi "um exagero". Quatro policiais legislativos foram presos por suspeita de atrapalhar as investigações da Lava Jato e em outras ações da PF. Os servidores fizeram varreduras em imóveis particulares e funcionais ligados a três senadores.

No total, parlamentares do Senado solicitaram 32 pedidos varreduras em seus gabinetes nos últimos três anos. Entre os beneficiados também foram citados pelos investigadores os senadores Fernando Collor (PTC-AL) e Gleisi Hofmann (PT-PR), além do ex-senador Lobão Filho (PMDB-MA). "Foi criada uma situação totalmente desnecessária", disse o senador, que está em Genebra para reuniões na União Parlamentar Internacional. "Foi muito estranho. Criaram uma celeuma muito grande", declarou. Para ele, a ação da PF foi “um exagero”. 

 O senador ressaltou que, em seu caso, a varredura era por causa de uma suspeita. “No meu gabinete, há dois anos, uma das funcionárias relatou que uma pessoa entrou pela janela em minha sala”, contou. “Eu procurei saber no Senado se tinha alguma manutenção e não tinha nada disso. O que eu pensei: vamos fazer uma varredura. Mas não pensei para situações oficiais. Mas para escutas clandestinas. Quem faz escuta não é apenas de forma legal. Tem bandido que também faz”, afirmou. “Ficamos preocupados com gente que tem informações”, revelou. “Temos debates internos que não são para ser externados”, disse. “Agora, dizem que eu quero impedir investigação”, afirmou o senador.

Nogueira ainda defendeu o estabelecimento de procedimentos e que sejam respeitados. “Um encontro entre os Três Poderes é fundamental para definir isso”, disse. 

Autor da denúncia que originou a operação da Polícia Federal no Senado na sexta-feira passada, o policial legislativo Paulo Igor Bosco Silva afirmou que fez a denúncia após suspeitar de que as ações de varreduras tinham como objetivo embaraçar as investigações da PF no âmbito da Lava Jato.

Crise. Na segunda-feira, 24, o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), acusou a Polícia Federal de ter se valido de “métodos fascistas” nunca adotados sequer na “ditadura” na ação que levou à prisão os quatro policiais legislativos da Casa. Renan também voltou a criticar o ministro da Justiça, Alexandre de Moraes, chamando-o de “chefete de polícia” e ainda classificou o juiz Vallisney de Souza Oliveira, que autorizou a operação no Senado, de “juizeco”. 

No mesmo dia, o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal e do Tribunal Superior Eleitoral, disse que "não se pode banalizar a presença da polícia no Congresso". “Não é um bom sinal, não deve ser estimulado”, declarou. O ministro recomendou "maior cuidado". “Me preocupa a presença da polícia em Casas do Congresso”, advertiu. Para Gilmar, "tudo indica" que juiz de primeiro grau não poderia ter autorizado a prisão de policiais legislativos. “Essa é a dúvida. Me parece que tudo indica que não pode. Se se trata de fazer investigação em relação ao Senado Federal ou aos seus integrantes essa é matéria do Supremo Tribunal Federal.”

 

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