André Dusek/Estadão
André Dusek/Estadão

Investigado, Jucá diz estar tranquilo com o andamento da Lava Jato

Ministro do Planejamento afirmou que apoia operação e espera que o Ministério Público faça todas as investigações necessárias. 

Daniela Amorim ,Vinicius Neder e Clarissa Thomé , O Estado de S.Paulo

17 de maio de 2016 | 11h59

RIO - O ministro do Planejamento, Romero Jucá, declarou nesta terça-feira, 17, estar tranquilo quanto ao andamento das investigações da Lava Jato que envolvem seu nome. Jucá afirmou que apoia a operação e espera que o Ministério Público faça todas as investigações necessárias. 

"Estou muito tranquilo quanto a isso. Fui mencionado por algumas pessoas, já prestei as informações necessárias, assumi a presidência do PMDB e enfrentei a questão da coordenação do impeachment. Portanto, se eu tivesse algum receio, eu não teria comprado as brigas que comprei", afirmou Jucá a jornalistas, antes de participar do XXVIII Fórum Nacional, evento promovido pelo ex-ministro do Planejamento João Paulo dos Reis Velloso, no Rio.

Em entrevista ao programa Fantástico, da TV Globo, Michel Temer afirmou que reavaliaria a participação do ministro no governo caso ele se tornasse réu da Lava Jato.

O ministro contou ainda que ajudou na manutenção de Rodrigo Janot no cargo de procurador-geral da República, por considerar que esteja fazendo um grande trabalho. "A Operação Lava Jato é importante, muda o paradigma da política no Brasil. A relação entre empresas, empresários, políticos e partidos políticos tinha que se ajustar. A operação é uma ação de choque, mas vai nessa direção positiva. Portanto estou muito tranquilo, vou continuar fazendo o meu trabalho e aguardar a manifestação do Ministério Público", declarou. 

Mais cedo, o ministro do STF Dias Toffoli afirmou que não há impedimento para que investigado seja nomeado ministro.

Jucá afirmou que não foi necessário um período de transição para assumir a pasta, porque já costumava tratar semanalmente com os ex-ministros Valdir Simão e Nelson Barbosa, do Planejamento e Fazenda, respectivamente. "O trabalho está começando e temos longo caminho para ajudar na gestão, na governança, no desenvolvimento que passou para o Ministério do Planejamento. Enfim, remodelar o Brasil, diminuir os custos, procurar o ajuste fiscal e fazer com que os investimentos possam voltar, porque com o crescimento econômico haverá emprego e é tudo isso que nós queremos", disse ele.

Imposto. Quanto à recriação da CPMF, Jucá disse que a decisão dobre novos impostos cabe à Fazenda, mas que não são a primeira opção para equacionar as contas.  "O que temos dito é que a criação de impostos não é a primeira opção. Antes, é preciso fazer o dever de casa", afirmou Jucá, referindo-se ao corte de gastos, à recuperação da economia e ao restabelecimento da credibilidade do governo.

O ministro admitiu que impostos podem ser criados num segundo momento. "Uma transição com imposto pode ser necessária, mas será anunciada no momento oportuno", disse Jucá, reforçando que uma decisão sobre isso será tomada pelo ministro da Fazenda, Henrique Meirelles.

Jucá afirmou ainda que a meta do governo é cortar, no mínimo, 4 mil cargos comissionados até o fim do ano. Segundo o ministro, o governo federal tem 20 mil cargos com DAS, a gratificação por posto de chefia, e é preciso racionalizar as despesas e melhorar a gestão. 

Confiança. Jucá disse que o governo precisa recuperar a credibilidade e, para isso, precisa reforçar a segurança jurídica. "Não é possível o governo falar, e as pessoas não acreditarem. Não é possível o ministro da Fazenda falar, e o mercado financeiro não dar credibilidade". Para o ministro, o Brasil conseguiu ser um "player mundial" e depois foi perdendo sua "consistência" por uma série de erros. "Não queremos definir culpados, mas é preciso fazer o correto diagnóstico", afirmou o ministro.

As mudanças feitas pelo governo Dilma Rousseff no setor elétrico, as interferências na Petrobrás e os efeitos disso no setor sucroalcooleiro foram citados como exemplo de insegurança jurídica. "Um governo não pode ser intervencionista, ideológico, atrasado e ficar mudando regras".

Segundo o ministro, o novo governo está trabalhando para construir uma base parlamentar, pois a estabilidade política e a "base política necessária" são essenciais para fazer as mudanças no rumo da economia. A construção de uma base está em andamento, mas "sem a necessária reforma política ainda". 

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