Investigada pela PF, Delta afirma que vai colaborar com autoridades

Em nota, construtora diz ter sido 'surpreendida' pela operação policial que apura transferência de dinheiro a empresas de fachada

O Estado de S. Paulo

01 de outubro de 2013 | 17h25

A empresa Delta Construções, alvo de uma operação da Polícia Federal deflagrada nesta terça-feira, 1º, informou por meio de nota que vai prestar "todos os esclarecimentos" às autoridades. Nesta manhã, policiais cumpriram mandados de busca e apreensão na sede e em filiais da construtora em Rio de Janeiro, São Paulo e Goiás para investigar indícios de transferência de cerca de R$ 300 milhões a empresas de fachada. O dono da empresa, Fernando Cavendish, também foi investigado.

A Delta, já considerada maior empreiteira do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), do governo federal, passou a ser investigada após a prisão do contraventor Carlinhos Cachoeira, em fevereiro de 2012. Na época, a Operação Monte Carlo desarticulou esquema de jogos de azar em quatro Estados e no Distrito Federal. Escutas policiais mostraram que Cachoeira pediu ajuda ao então senador Demóstenes Torres - que foi cassado depois - para beneficiar Fernando Cavendish, que era presidente da Delta. Segundo a PF, havia indícios de que parte dos recursos da Delta era transferida para empresas fantasmas ligadas a Cachoeira.

Em razão do escândalo, a construtora foi declarada inidônea e proibida de participar de concorrências públicas. Já Cavendish continuou como dono da empresa, mas deixou o conselho de administração em abril.

Segundo a assessoria de imprensa, a Delta atualmente está em fase de "recuperação judicial" e a movimentação financeira é fiscalizada pela Justiça. Abaixo, a íntegra da nota:

"A Delta Construções foi surpreendida pela operação policial de busca e apreensão realizada na manhã desta terça-feira (01/10), uma vez que encontra-se em recuperação judicial, homologada em janeiro de 2013 pelo juízo da 5ª Vara Empresarial do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro. Toda movimentação financeira e contábil da empresa é acompanhada e fiscalizada pela Justiça, Ministério Público e administrador judicial Deloitte Touche Tohmatsu. A Delta afirma que todos os esclarecimentos serão prestados às autoridades competentes, contribuindo de forma plena com a investigação."

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