Investigada adoção de crianças para tráfico de órgãos

O governo brasileiro e a Polícia Criminalista Internacional (Interpol) estão investigando a adoção internacional de 25 crianças, entre 1992 e 1993, suspeitas de terem sido vítimas de tráfico de órgãos.A apuração do caso está sendo mantida em sigilo pela Polícia Federal, mas fontes do Ministério da Justiça confirmaram que todos as crianças são de uma cidade do interior de um Estado do Nordeste, possivelmente Pernambuco.Destino: EUA e EuropaSegundo a investigação, as crianças, cujas idades ainda estão sendo checadas pela Interpol, foram levadas para Estados Unidos e Europa - principalmente para França, Inglaterra e Itália. A Interpol brasileira acionou sua congênere nos países para ajudar na investigação.Conforme as autoridades brasileiras, este é o primeiro caso concreto que pode comprovar que algumas adoções ocorridas no passado no Brasil podem ter sido feitas por traficantes de órgãos.Mapa da rota do tráficoDepois de reunião realizada nesta quarta-feira no Ministério da Justiça entre os dirigentes da pasta, o presidente em exercício, Marco Maciel, e representantes das embaixadas de Estados Unidos, França, Itália, Reino Unido, Portugal, Alemanha, Canadá, Rússia e Espanha, o governo brasileiro apresentou um mapa da rota do tráfico, principalmente de mulheres, que alcança praticamente parte da Europa.Pelo levantamento feito pela PF, os principais pontos de aliciamento de mulheres no País são Goiânia, Recife, Fortaleza, Bahia, Belém, Rio de Janeiro, Espírito Santo, São Paulo e Mato Grosso do Sul. As principais rotas identificadas pelo governo partem de Goiás, Recife, Fortaleza, São Paulo, Bahia e Rio e chegam à Espanha, Holanda, Alemanha e Itália.Crime que gera receitaA rota de Belém leva as mulheres ao Suriname e à Holanda, enquanto a saída do Rio está ligada a Israel. ?O tráfico tem três fins: prostituição, trabalho forçado e remoção de órgãos?, informou o ministro da Justiça, Paulo Tarso Ribeiro.Segundo ele, depois do tráfico de drogas, esse tipo de crime é o que mais gera receita para seus praticantes. ?O pior disso tudo são as estatísticas que mostram que, de fevereiro de 1997 a abril de 2000, 81% dos casos envolviam meninas, 6% eram meninos, e 13% não foram identificados?, revelou Paulo Tarso.Perfil dos criminososO perfil dos criminosos, conforme o ministro, é de 40% de homens e 21% mulheres. Paulo Tarso afirmou que hoje o Brasil já tem seu centro de prevenção e combate ao tráfico de seres humanos, que registrou 28 casos e vem acompanhando outros 245, todos relacionados à prostituição e ao trabalho escravo.?Estamos orientando também estas pessoas sobre a forma de tratamento que devem receber. Se a mulher, por exemplo, que está no exterior quer continuar na prostituição, que o faça, mas conheça seus direitos?, afirmou o secretário de Estado da Justiça, Antônio Rodrigues Freitas Júnior.

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