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Investigações na Sudam podem parar por falta de verbas

Os mais de 200 inquéritos que apuram os desvios de R$ 1,7 bilhão, ocorridos na extinta Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia (Sudam) entre 1996 e 2000, correm o risco de serem paralisados. Por falta de dinheiro, delegados, peritos e agentes estão impossibilitados de continuarem a apuração do caso, considerado um dos mais sérios dos últimos anos em se tratando de corrupção na administração federal.Hoje um grupo de investigadores se reuniram para analisar o problema, que atinge principalmente Tocantins, Pará e Maranhão, onde os inquéritos identificaram a suspeita de participação de políticos de influência, como o gerente de Planejamento do Maranhão, Jorge Murad, marido da governadora do Estado e candidata do PFL à Presidência da República, Roseana Sarney, além do ex-presidente do Senado, Jader Barbalho. Em Tocantins, 78 inquéritos estão praticamente parados por falta de delegados. No Maranhão, outros 36 também estão sendo tocados de maneira precária pelo mesmo motivo.Apesar de ter apreendido mais de 1.200 quilos de documentos em abril do ano passado em vários escritórios de assessoria de projetos da Sudam, a PF está impossibilitada de analisar os laudos técnicos feitos nos papéis por falta de peritos. Muitos delegados e agentes trabalhavam no caso desde seu início - no dia 20 de abril de 2000 - e ficaram até por volta de outubro sem recebimento de diárias. Hoje, muitos policiais estão evitando se deslocar para outras regiões para continuar as investigações, já que o problema continua."Não podemos continuar nosso trabalho se não houver a participação da PF, que foi essencial para chegarmos a alguns resultados positivos até hoje", afirma um integrante do Ministério Público Federal, envolvido na apuração do caso. Segundo ele, o problema é realmente falta de dinheiro para manter equipes nos Estados, como ocorria no início das investigações. Agora, a PF está cumprindo apenas as missões mais urgentes, como fazer buscas, apreensões e cumprimento de prisão preventiva.Para atuar no caso das fraudes da Sudam, a PF determinou um grupo de delegados especiais da Divisão de Repressão ao Crime Organizado e Inquéritos Especiais (Decoie), em vários Estados. O principal dele, Hélbio Dias Leite, que preside a maior parte dos inquéritos, deveria viajar no mês passado para Palmas, de onde coordena as investigações, mas isso não aconteceu por falta de recursos tanto para o deslocamento quanto para o pagamento das diárias. O problema já dura pelo menos seis meses e, segundo fontes da PF, está atingindo diretamente outras operações de importância. O diretor-geral da PF, Agílio Monteiro Filho, não foi encontrado hoje pela Agência Estado.

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