Investigações de lavagem de dinheiro crescem 437,6%

Um levantamento divulgado nesta quinta-feira pelo Departamento de Recuperação de Ativos e Cooperação Jurídica Internacional do Ministério da Justiça apontou que o número de investigados e réus em casos de corrupção por lavagem de dinheiro no País aumentou 437,6%, entre 2005 e 2006, de 1.008 para 5.419. O número de condenados cresceu 373,22%, se comparados os mesmos períodos, e saltou de 183 para 866.Os dados foram apresentados no 4º encontro da Estratégia Nacional de Combate à Corrupção e à Lavagem de Dinheiro e de Recuperação de Ativos (Enccla), que acontece até este sábado em Ribeirão Preto (SP). Os números, considerados conservadores pelo Ministério da Justiça, apontam para um aumento significativo das investigações desse tipo de crime desde 2003, por meio da criação de 25 varas especializadas.Já em relação aos chamados incidentes judiciais - a soma de ações e inquéritos judiciais - cresceu 27,1%, entre 2005 e 2006, de 524 para 666 casos. "O aumento de punição é uma prova do êxito daquilo que foi feito. Esse encontro, que traça as estratégias de combate à lavagem de dinheiro e à corrupção, é fundamental e é a experiência da integração, do trabalho conjunto, da cooperação, da partilha dos serviços de inteligência", afirmou o ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, que participou da abertura do evento na cidade paulista e seguiu para o México, onde representará o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, na posse de Felipe Calderón, presidente daquele País.O governador do Estado de São Paulo, Cláudio Lembo, afirmou que o aumento nos números de casos de lavagem de dinheiro é causado pelo aumento das investigações e não pelo aumento da corrupção no País. "As investigações vão muito bem e acho que o que temos de muito positivo no Brasil hoje é a transparência, com os meios de comunicação expondo tudo aquilo que caracteriza falha de caráter, indignidade e falta de ética. Isso ajuda muito, porque a cidadania cria opinião pública e força todas as instituições a agirem", disse Lembo.O governador ligou ainda a lavagem de dinheiro à sonegação fiscal e citou como exemplo a resolução da Secretaria da Fazenda paulista, de cassar as inscrições de empresas que fazem fuga fiscal. "Tem de ser firme e duro, não se pode ter uma vida política saudável, quando a vida econômica não é", concluiu.Já para o ministro de Controle e da Transparência, Jorge Hage, "no Brasil, predominantemente a lavagem de dinheiro é oriunda da corrupção". O ministro Gilson Dipp, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), considerou "gratificante" a apresentação dos números pelo Ministério da Justiça.

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