Fabio Motta/Estadão
Fabio Motta/Estadão

Investigação vai mostrar que acusação é falsa, diz Pezão

Após Procuradoria pedir abertura de inquérito por suspeitas de envolvimento na Lava Jato, governador do Rio repetiu que está 'tranquilo' e à disposição da Justiça

Luciana Nunes Leal, O Estado de S. Paulo

12 de março de 2015 | 15h39

Atualizado às 18h52

Rio - O governador do Rio de Janeiro, Luiz Fernando Pezão (PMDB), disse na tarde desta quinta-feira, 12, que respeita a decisão da Procuradoria-Geral da República de pedir abertura de inquérito no Superior Tribunal de Justiça (STJ) para investigar possível participação no esquema de corrupção da Petrobrás, mas classificou como "estapafúrdio" o depoimento do ex-diretor da estatal Paulo Roberto Costa. Pezão disse estar certo de que a investigação vai mostrar que a acusação "é falsa".

Em delação premiada, Costa disse que arrecadou R$ 30 milhões de empresas do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj), em 2010, para o caixa 2 da campanha de reeleição do então governador Sérgio Cabral (PMDB), de quem Pezão era vice. O ex-diretor disse que acertou o pagamento com Cabral, Pezão e o então chefe da Casa Civil do Estado, Regis Fichtner. Nesta manhã, a Procuradoria pediu investigação também contra o governador do Acre, Tião Viana (PT). Os pedidos serão analisados pelo ministro Luís Felipe Salomão, relator do caso no STJ.

Os três negam a existência desta conversa. Pezão e Cabral negam ter usado na campanha recursos não declarados à Justiça. "Estou à disposição da Justiça, só quero ser ouvido. É preciso ver como foi dada essa declaração (de Paulo Roberto Costa). Eu era vice do Sérgio, ele (Costa) fala que eu participei de uma conversa que nunca existiu. Nós três não tivemos essa conversa. Falar em R$ 30 milhões para caixa 2 de campanha é estapafúrdio", reclamou Pezão.

O governador reiterou que cabe ao delator apresentar provas e garantiu que Costa não terá como atestar o que disse. "Isso é uma coisa muito vaga. Dizer que pagou sem dizer quando foi, como foi, para quem foi. Tenho a consciência tranquila de que nunca tivemos essa conversa. Não teve caixa 2, a campanha inteira não custou R$ 30 milhões", afirmou. "As empresas vão ser ouvidas. Meu sigilo está à disposição, só tenho uma conta bancária. Minha declaração de bens é pública", completou.

O ex-chefe da Casa Civil, Regis Fichtner, também rechaçou as afirmações de Paulo Roberto Costa e disse que vai acionar o ex-diretor da Petrobrás na Justiça. "Tenho convicção de que uma mínima apuração dos fatos pela Justiça irá resultar no restabelecimento da verdade", afirmou Fichtner em nota divulgada à imprensa.

O governador informou que ainda não sabe como será a estratégia da defesa e que conversará com Sérgio Cabral sobre o assunto. Uma das possibilidades é que o governador, o antecessor e o ex-chefe da Casa Civil tenham uma defesa conjunta. "Vou ver com o Sérgio como vai ser. Na eleição de 2010, ele era o candidato a governador, eu era o vice. Vamos ver se haverá um advogado para cada um", afirmou. Pezão reiterou estar "muito tranquilo" com a investigação, apesar da insatisfação com o fato de não ter sido ouvido até agora e só saber do envolvimento de seu nome pelo noticiário.

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