Andre Penner/AP
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Investigação sobre corrupção vai se ampliar, diz Dallagnol em entrevista

Procurador, que cuida da Lava Jato, afirmou que acordos de leniência podem fazer operação se multiplicar por dois

O Estado de S.Paulo

27 de janeiro de 2017 | 05h30

CURITIBA - Um dos coordenadores da Operação Lava Jato no Paraná, o procurador da República Deltan Dallagnol, crê que acontecimentos recentes podem ampliar o tamanho do caso. Em entrevista à agência de notícias Associated Press, ele afirmou que os novos acordos de leniência podem fazer com que a operação se multiplique por dois nos próximos anos.

Quase três anos depois das primeiras detenções, em março de 2014, a Operação Lava Jato não tem um final em vista, afirmou Dallagnol.

"Eu diria que os novos acordos de leniência poderiam permitir que a Operação Lava Jato multiplique seu tamanho por dois no futuro", disse Dallagnol nesta quinta-feira, 26, à Associated Press. Ele declinou entrar em detalhes porque os casos seguem em investigação.

O que começou com uma pesquisa sobre lavagem de dinheiro se converteu em um escândalo de corrupção tão grande que comoveu os brasileiros, acostumados há tempos com a corrupção na política.

Os investigadores creem que se pagaram mais de US$ 2 bilhões em subornos em uma trama corrupta em torno da Petrobras, que implicava a grandes construtoras, como a Odebrecht. Nos últimos anos, dezenas de políticos e empresários têm sido condenados e encarcerados. Outros tantos correm o risco de ir para a cadeia.

Em uma ampla entrevista, Dallagnol disse que a investigação "vive sob perigo", devido às forças que tentam sufocá-la. Segundo ele, a pressão cresce conforme o número de "pessoas poderosas implicadas cresce a cada dia".

Para o  procurador, a morte do juiz do Supremo Teori Zavascki, que supervisava uma parte considerável da investigação e morreu na semana passada em um acidente aéreo, foi um grande golpe na Lava Jato. Mas Dallagnol disse que a perda não vai deixar muitos casos abertos.

Ainda que muitos creiam que a investigação está criando um "novo Brasil", o promotor assinalou que seu efeito a longo prazo depende de medidas para reformar os sistemas político e judicial. Ele comparou a situação com a de um paciente enfermo que vai ao médico e recebe um grave diagnóstico, mas não segue as recomendações médicas.

"Por desgraça, seguimos na fase do diagnóstico", disse Dallagnol, que estudou direito no Brasil e depois obteve mestrado na Universidade de Harvard.

Para muitos brasileiros fartos da corrupção e de seus líderes políticos, Moro e Dallagnol são heróis, uma designação que Dallagnol rechaça. "Somente fazemos nosso trabalho", disse. / AP

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