Investigação sobre Araguaia acaba sem respostas

O destino de dezenas de militantes de esquerda que desapareceram durante a guerrilha do Araguaia, no início da década de 1970, continua sendo um mistério, informou o governo federal nesta quarta-feira, 28, num relatório que encerra quatro anos de investigações. "Segundo as Forças Armadas, todos os documentos relativos à guerrilha do Araguaia foram destruídos", informa o documento. O relatório recomendou que Lula libere documentos sigilosos que contêm possíveis pistas e ordene aos comandantes militares que busquem informações junto a oficiais que estiveram envolvidos no combate à guerrilha. Há quatro anos, quando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva iniciou seu primeiro mandato, grupos de direitos humanos esperavam que seu governo ajudaria a explicar como e onde cerca de 150 adversários do regime desapareceram. Entre os desaparecidos na ditadura militar, o caso mais emblemático é o dos cerca de 80 militantes do PCdoB que sumiram na guerrilha do Araguaia, no sul do Pará. Eles teriam sido mortos em confrontos com o Exército, mas só dez corpos foram achados desde a década de 1970. Parentes das vítimas pediram ao governo e às Forças Armadas que revelem a localização dos demais corpos. Mas uma comissão do governo foi incapaz de dizer como os guerrilheiros desapareceram ou onde estão seus restos, disse nesta quarta-feira o secretário nacional de Direitos Humanos, Paulo Vannuchi. A comissão visitou dois lugares do Pará, onde ocorreu a maior parte dos confrontos, mas não achou nada, segundo Vannuchi. "Os atuais líderes militares são de uma geração que não tem sangue em suas mãos. Eles não estão envolvidos, então não precisam acobertar nada", disse Vannuchi. Vários membros do PT participaram da luta armada contra a ditadura. O deputado federal José Genoino (SP), ex-presidente do partido, foi preso pelo exército durante a guerrilha do Araguaia. A Lei da Anistia (1979) perdoou os militares e guerrilheiros pelos crimes cometidos durante a ditadura, e Vannuchi disse que o objetivo não é punir ex-oficiais. "Só podemos virar esta página negra da nossa história recente em um espírito de reconciliação."

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