Investigação rápida evita expor ‘pessoas sérias’, diz Alckmin

Governador tucano tem quatro secretários citados em inquérito do cartel de trens como destinatários de propina; eles negam

O Estado de S. Paulo

11 Dezembro 2013 | 23h07

São Paulo - O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), afirmou nesta quarta-feira, 11, ser a favor de rapidez nas investigações sobre o cartel de trens e metrôs suspeito de atuar no Estado durante governos tucanos, incluindo o seu. Para ele, a agilidade evitará envolvimento de "nome de pessoas sérias" no escândalo.

"Nós queremos que a investigação se faça com seriedade e rapidez, até para não colocar o nome de pessoas sérias envolvidas", afirmou em evento na capital paulista. "Precisamos ser justos. Você não pode agir sem ser de forma justa. O que precisamos é investigar. Esclarecer rapidamente, doa a quem doer."

Quatro de seus secretários são citados no inquérito que investiga o cartel. Os titulares da Casa Civil, Edson Aparecido (PSDB), e do Desenvolvimento Econômico, Rodrigo Garcia (DEM), são apontados pelo ex-diretor da Siemens Everton Rheinheimer como destinatários de "comissões" do cartel.

Os secretários de Transportes Metropolitanos, Jurandir Fernandes (PSDB), e de Energia, José Aníbal (PSDB), são citados como sendo próximos do consultor Arthur Teixeira, apontado como lobista do cartel.

Como alguns secretários são deputados licenciados, a Justiça decidiu remeter segunda feira o inquérito do cartel para que o Supremo Tribunal Federal autorize a continuidade das investigações. Isso porque os parlamentares têm prerrogativa de foro.

Na sexta-feira passada, Rheinheimer, principal testemunha do caso, reafirmou em depoimento ao Ministério Público Federal delação feita à PF em 14 de outubro e o conteúdo de um relatório que chegou à corporação por meio do ministro José Eduardo Cardozo (Justiça). Esse relatório, cujo conteúdo foi revelado pelo Estado no fim do mês passado, citava propina para o chefe da Casa Civil de Alckmin e para o deputado federal Arnaldo Jardim (PPS), ligado aos tucanos paulistas.

No depoimento de sexta, Rheinheimer afirmou que os "acordos financeiros" envolviam outro secretário de Alckmin, Rodrigo Garcia, além do deputado estadual Campos Machado (PTB), também próximo dos tucanos. Todos negam enfaticamente envolvimento com ilegalidades.

O ex-diretor da Siemens assinou uma delação premiada com a Polícia Federal, pela qual pretende aplacar futuras punições por sua participação no cartel.

Rheinheimer também é um dos ex-diretores da Siemens que assinaram o acordo de leniência com o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), órgão antitruste do governo federal. Nesse acordo, a multinacional alemã admitiu ter integrado um esquema de combinação de preços entre 1998 e 2008 em contratos de São Paulo e do Distrito Federal. Em troca da "confissão", a empresa também esperar ver aplacadas possíveis sanções do órgão federal. O processo do Cade deverá ser aberto só em 2014, segundo seus integrantes.

Reações. Citado como recebedor de propina no novo depoimento de Rheinheimer, Rodrigo Garcia afirmou nesta quarta que "repudia com veemência as tentativas de vincular seu nome ao caso do cartel de trens". "Não tenho relação alguma com os fatos investigados. O próprio autor das acusações, após apresentar várias versões diferentes, admite não ter provas do que diz. Está evidente que tais afirmações foram requentadas por motivação política", disse em nota.

Edson Aparecido, mencionado por Rheinheimer, classificou o ex-diretor da Siemens como "uma figura criminosa que fala de coisas que ouviu dizer". Os dois secretários de Alckmin elogiaram a decisão da Justiça em remeter o inquérito do cartel a Brasília. Ambos dizem confiar no STF para a apreciação do caso.

Mais conteúdo sobre:
cartel de trens Geraldo Alckmin

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.