Investigação pede devassa nas contas de Jader

O procurador-geral da República, Geraldo Brindeiro, deverá pedir abertura de novos inquéritos para apurar supostas ligações do senador Jader Barbalho (PMDB-PA) com empreiteiras e financiadores de campanha do Pará. As relações ilegais teriam ocorrido durante o governo Jader (1983-1987). A nota técnica preparada pela 5ª Câmara de Defesa do Patrimônio, do Ministério Público Federal, vai apontar indícios de entrada de recursos de origem ilícita nas contas da família Barbalho por meio de pessoas que não estariam ligadas diretamente ao rombo no Banco do Estado do Pará (Banpará).Brindeiro pretendia solicitar ao Supremo Tribunal Federal (STF) uma devassa total nas contas do senador, ao longo dos anos 90. Mas deverá mudar de idéia. Técnicos do Banco Central informaram ao procurador-geral que o rastreamento de transações por meio do Citibank, agência Assembléia, no Rio, e outros dados pedidos pela 5ª Câmara só poderiam ser fornecidos após quebra de sigilo. O Banco Central também avisou que o dinheiro desviado do Banpará, nos anos 80, não saiu do Tesouro Nacional. A revelação foi uma ducha fria nos trabalhos da 5ª Câmara, responsável em investigar lesões ao patrimônio federal.Na segunda-feira, a 5ª Câmara deverá terminar a nota técnica com a conclusão das investigações sobre os desvios do Banpará. O procurador federal Paulo de Tarso Bráz Lucas vai sugerir a Brindeiro que entre com pedido de ação penal contra Jader no Supremo Tribunal Federal, pelo fato de haver provas suficientes de envolvimento do senador no rombo do Banpará. Em suma, a ação constitui uma acusação formal. O início do processo penal no STF, porém, depende de licença do Senado. "Se eu fosse ele, entrava com pedido de ação", afirma Bráz Lucas. "No meu entender, há elementos suficientes para provar a vinculação [do senador] com as irregularidades."O procurador-geral respondeu que "talvez" aceite a sugestão. Só Brindeiro tem poder de entrar com ação no STF contra parlamentares. A única certeza é de que Brindeiro pedirá abertura de inquérito criminal, uma fase anterior à ação. O inquérito no STF - única instância que pode processar e julgar parlamentares - tem as mesmas características de uma investigação policial.

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