Investigação não atrasa obra para Copa, diz Aldo Rebelo

O ministro do Esporte, Aldo Rebelo, descartou nesta quarta-feira qualquer prejuízo aos trabalhos de preparação do País para a Copa do Mundo de 2014 por causa das investigações da Polícia Federal em torno da Delta Construção. Proprietários e executivos da empresa são suspeitos de terem ligação com o contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, e a empreiteira será um dos alvos da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que deve ser instalada quinta-feira no Congresso.

MARCELO PORTELA, Agência Estado

18 de abril de 2012 | 18h11

A Delta é a empresa que mais recebe recursos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), por meio do qual são realizadas várias obras nas cidades que vão sediar os jogos do mundial de futebol. "Não vejo porque a investigação tenha que significar a paralisia das obras. Não vejo nenhuma relação", afirmou Aldo Rebelo, aparentemente surpreso com o fato de a Delta participar de obras para a Copa em Belo Horizonte.

Na capital mineira, a empresa é responsável, junto com a Cowan, por intervenções nas avenidas Antônio Carlos e Pedro I, como parte dos principais projetos de mobilidade para a Copa. No entanto, relatório técnico do Tribunal de Contas do Estado (TCE) encontrou indícios de superfaturamento de R$ 6 milhões nas obras. A corte enviou ofício à prefeitura e à Superintendência de Desenvolvimento da Capital (Sudecap) para que se manifestem sobre as supostas irregularidades e, caso a resposta não seja satisfatória, o tribunal pode determinar a suspensão ou mesmo cancelamento do contrato.

O ministro concedeu entrevista durante visita ao Mineirão, a poucos metros de uma das intervenções nas quais o TCE apontou suspeita de superfaturamento. Ao lado de Rebelo, o prefeito de Belo Horizonte, Marcio Lacerda (PSB), ressaltou que os projetos para a Copa são fiscalizados por vários órgãos federais e estaduais e classificou os indícios de irregularidades apontados pele Tribunal de Contas como "apenas uma discordância técnica" que "não vai prejudicar o andamento das obras". "Nós próximos dias, com toda tranquilidade, vamos encaminhar nossas explicações a eles (TCE) e, se tivermos que fazer algum ajuste, vamos fazer. Não estamos preocupados com isso", disse.

Além das obras, Aldo Rebelo espera que as investigações em torno de Carlos Cachoeira também não prejudiquem outros preparativos necessários à realização do mundial, como a aprovação da Lei Geral da Copa pelo Senado, mesmo com os parlamentares mobilizados em torno da CPI. "A CPI é uma atividade de investigação do Congresso. Ela nunca significa a paralisia das demais atividades. A Câmara já votou a Lei Geral da Copa e o Senado vai votar. E todas as cláusulas que o Brasil assinou para realizar a Copa serão cumpridas porque essa é a tradição do nosso País", declarou.

Aproveitando o embalo das investigações em torno da relação de políticos com Carlos Cachoeira, o deputado estadual Sargento Rodrigues (PDT) protocolou nesta quarta-feira na mesa da Assembleia Legislativa de Minas Gerais pedido de instalação de uma CPI para investigar o envolvimento de policiais e "outros agentes públicos" com a exploração de caça-níqueis no Estado. O pedido tem 40 assinaturas, 16 a mais que o necessário, mas é a quarta vez que o parlamentar apresenta o requerimento. "Assim que a gente apresenta o pedido, a base do governo pega a lista e corre para assediar os deputados para que eles retirem as assinaturas", disparou Rodrigues.

O pedido foi motivado pelo depoimento de um oficial da Polícia Militar indicando que integrantes da própria PM e da Polícia Civil recebem regularmente propina de contraventores. "O negócio é apurar o envolvimento de agentes públicos com o jogo ilegal. Sei que tem gente no governo que lucra com isso. Por isso queremos a instalação da CPI", declarou o parlamentar, que integra a base de apoio do governo.

A reportagem tentou falar com o presidente da Assembleia e com o líder do governo na casa, respectivamente os tucanos Dinis Pinheiro e Bonifácio Mourão, mas nenhum deles foi encontrado. Os dois integrantes do PSDB que assinaram o pedido, Leonardo Moreira e Rômulo Viegas, retiraram as assinaturas antes da apresentação do requerimento.

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