Investigação em papéis de Renan termina em 20 dias

Informação é do relator Renato Casagrande; ele afirma que, apesar do recesso, conselho não parou

26 de julho de 2007 | 20h03

O senador Renato Casagrande (PSB-ES), um dos relatores do processo contra o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), no Conselho de Ética, disse nesta quinta-feira, 26, à Agência Senado que as investigações preliminares nos documentos apresentados por Renan devem ser concluídas até 15 de agosto. E afirmou que o órgão, apesar do recesso, não parou os trabalhos: "Nós não paramos de trabalhar, estamos atuando para agilizar a juntada de documentos".   Também nesta quinta o Senado enviou para o Ministério da Justiça nova remessa de documentos necessários à perícia, em andamento na Polícia Federal, para atestar a veracidade ou não de operações de venda de gado. Esse é o principal argumento do senador para provar que não precisava de dinheiro de um lobista para pagar pensão à jornalista Mônica Veloso, com quem tem uma filha fora do casamento.   A existência de notas fiscais frias, inclusive de empresas que sequer existem, entre os documentos entregues à perícia da PF, pode complicar a defesa de Renan. Ele responde a processo por quebra de decoro no Conselho de Ética da Casa. Entre os papéis duvidosos estão as notas emitidas pelos frigoríficos GF Silva e Carnal Carnes, cujas inscrições na Fazenda estadual estão extintas. Os documentos dessas duas empresas já haviam sido reprovados em laudo parcial feito pela PF em 19 de junho.   A perícia engloba 30 questões formuladas pelo conselho, abrangendo a autenticidade dos documentos e a comprovação das operações com gado. Renan alega ter faturado R$ 1,9 milhão em quatro anos com a venda de bois. O conselho pediu à PF para analisar a evolução patrimonial do senador de 2003 para cá e conferir as provas de que saiu da conta dele o dinheiro da pensão.   Como Renan alega que a pensão era paga em espécie, o conselho quer saber, ao menos, se o dinheiro da venda dos bois foi depositado na conta dele. Renan postergou o quanto pode a investigação e usou o recesso para reforçar a defesa.   Inconsistências   Na primeira perícia, a PF havia diagnosticado mais de 20 inconsistências na documentação de defesa do senador, entre as quais incompatibilidade na cronologia entre as datas das operações com os cheques de pagamento e os recibos. Notou também que vários recibos eram frios. O Senado, encomendou uma perícia completa, mas uma série de manobras protelatórias adiou o início dos trabalhos.   As declarações de renda dos últimos quatro anos do senador foram juntadas aos demais documentos a serem periciados - notas fiscais de venda de gado (com canhotos), recibos de pagamento, atestado de vacina do rebanho, livro-caixa das propriedades e guias de trânsito animal (GTAs).

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