Investigação é fio de novelo, vamos ver o que vem, diz Janot sobre fundos de previdência

Operação Greenfield deflagrada ontem investiga fraudes de R$ 8 bilhões em fundos de pensão e, segundo indicou procurador-geral da República, pode chegar a políticos

Beatriz Bulla e Fábio Serapião, O Estado de S. Paulo

06 de setembro de 2016 | 13h08

Brasília - O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, afirmou nesta manhã que ainda não recebeu desdobramentos da Operação Greenfield, que investiga fraude em fundos de pensão, mas não descarta a possibilidade de conduzir apurações sobre envolvimento de políticos no caso. "Investigação é fio de novelo, vai puxando e vamos ver o que vem", disse o procurador-geral nesta manhã, após deixar sessão do Conselho Superior do Ministério Público Federal.

Ontem, a Polícia Federal deflagrou a Operação, que investiga os quatro maiores fundos de pensão estatais brasileiros - Petros, Funcef, Previ e Postalis. A operação bloqueou R$ 8 bilhões dos investigados, entre eles ex-dirigentes de empresas como a OAS e a Engevix. Foram cumpridas ontem cinco prisões temporárias e pelo menos 28 conduções coercitivas. 

Os investigadores detalham em relatório possível envolvimento político em irregularidades sob apuração. Um documento aponta, por exemplo, motivos que teriam levado a Funcef e a Petros a investir na Eldorado Brasil Celulose. 

No documento, investigadores relatam que s empresa é controlada pelo grupo J&F, "grupo este que é um dos principais doadores de campanhas do Partido dos Trabalhadores". No entendimento da delegada e do procurador responsáveis pelo caso, o fato de o aporte ter sido pré-aprovado diretamente por diretor de investimento do fundo  indica que o investimento já havia sido "negociado por instâncias políticas superiores entre os fundos de pensão e o grupo econômico proprietário das empresas".

A operação foi autorizada ontem pela Justiça Federal no Distrito Federal. Caso as investigações indiquem a participação no esquema de políticos e autoridades com foro privilegiado, no entanto, o caso precisa ser remetido a Janot e conduzido sob supervisão do Supremo Tribunal Federal. 

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