DIDA SAMPAIO/ESTADAO
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Investigação de ministros é mais um fator de desgaste para Dilma

Presidente tem defendido todas as investigações, mas também tem destacado que não é possível fazer prejulgamento de ninguém; pelo menos por enquanto, não se fala em afastamento deles no Planalto

Carla Araújo e Tânia Monteiro, O Estado de S. Paulo

06 de setembro de 2015 | 13h35

Atualizada às 23h40 

BRASÍLIA - A investigação de dois ministros diretamente ligados à presidente Dilma Rousseff, ambos com gabinete no Palácio do Planalto, é mais um fator de desgaste para a petista, na avaliação de assessores com assento no Palácio do Planalto, e mais um ingrediente pesado ao clima político já ruim de Brasília. A apuração contra os ministros da Comunicação Social, Edinho Silva, e da Casa Civil, Aloizio Mercadante, foi autorizada por Teori Zavascki, relator da Operação Lava Jato no Supremo Tribunal. 

A decisão do Supremo movimentou o domingo, 6, em Brasília. A presidente Dilma Rousseff, que depois de pedalar pela manhã, passou o resto do dia no Alvorada, conversou com vários ministros ao longo do dia, entre eles Mercadante e Edinho. Os dois fizeram questão de soltar notas ao longo do dia se defendendo das acusações. O ministro José Eduardo Cardozo, da Justiça, também falou com a presidente. Nesta segunda, todos estarão junto com Dilma no palanque, durante as comemorações do Dia da Independência.

A preocupação é grande com a investigação baseada na delação do empreiteiro Ricardo Pessoa, da UTC, porque, em última instância, Dilma poderia ser atingida diretamente, corroborando com a tese do impeachment. Pessoa afirmou em delação premiada que doou R$ 7,5 milhões à campanha de Dilma em 2014, pressionado por Edinho Silva, segundo a revista Veja. Ele também apresentou à Procuradoria Geral da República documento no qual lista suposto repasse de recursos que teriam sido desviados de contratos com a Petrobrás a Mercadante e ao senador Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP). Os três negam as acusações. 

Arquivamento. A expectativa do Palácio do Planalto é de que as investigações contra os dois ministros sejam arquivadas sem que se transformem em inquérito. Interlocutores diretos da presidente lembram, por exemplo que, no fim do mês passado, a Procuradoria-Geral da República, responsável pelas investigações da Lava Jato no STF, pediu o arquivamento do inquérito contra o ex-governador de Minas Gerais senador Antonio Anastasia (PSDB-MG).

No caso de Anastasia, a Procuradoria entendeu que não havia “elementos mínimos” para prosseguir a apuração. Antes de uma decisão, porém, a Polícia Federal encaminhou ao STF mais elementos com pedido para que a investigação continue. 

Até agora, salientam esses assessores, são apenas acusações do delator, sem qualquer comprovação, e não se pode ter isso como verdade, porque certamente não haverá elementos para incriminar os dois ministros. 

Ministros consultados pelo Estado também tentaram minimizar o problema alegando que “investigação não é denúncia”, que “o delator tem de provar o que está dizendo” e que já desmentiram as acusações. Nesse clima, pelo menos por enquanto, não se fala em afastamento de Mercadante e de Edinho Silva de seus cargos.

Já o líder do DEM na Câmara, Mendonça Filho (PE), avaliou como “grave” serem instauradas investigações contra dois ministros muito próximos à presidente Dilma Rousseff. “Eles são peças-chave no governo e, ao serem denunciados, pioram as condições de o governo lidar com a crise”, afirmou Mendonça Filho, ressaltando que todos têm o direito à defesa. 

Na quarta-feira passada, Pessoa falou à Justiça Federal em Curitiba em ação sobre a Odebrecht. No primeiro depoimento público disse depositar oficialmente na conta do PT dinheiro que seria de propina. 

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