Inventor tem projeto de geração de energia

O mecânico e autodenominado inventor Paulo Roberto Vieira obteve hoje o que considerou a vitória de uma longa saga. Dono de um arquivo no qual se acumulam dezenas de invenções, muniu-se de um projeto de geração de energia de sua autoria e, sobre uma motocicleta, percorreu no início deste mês os cerca de 1,1 mil quilômetros que separam Campinas de Brasília. Na capital nacional, fez plantão em frente ao Palácio do Planalto por 12 dias, na tentativa de obter uma audiência com o presidente Fernando Henrique Cardoso. Razões explicadas, foi encaminhado ao Ministério de Ciência e Tecnologia que, por sua vez, encaminhou o aventureiro à Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) com a promessa de que seu projeto seria avaliado por especialistas da área.Hoje, Vieira foi recebido, junto com sua invenção, pelo engenheiro mecânico Alexandre Benedito Novaes, professor da faculdade de Engenharia Mecânica. O mecânico sugeriu a criação de um sistema moto-contínuo, com a utilização de três vagões de trem de duas mil toneladas cada um. O moto-contínuo é um equipamento ou máquina que funcionaria continuamente sem consumir nenhuma energia ou consumindo uma quantidade menor de energia do que a produzida. De acordo com o projeto de Vieira, o movimento ininterrupto dos vagões sobre um trilho inclinado iria gerar 70% da soma das seis mil toneladas em forma de energia elétrica, sem emissão de poluentes e sem consumir combustível. Novaes acolheu Vieira e seu invento, mas explicou que sua área é mecânica e não elétrica. O projeto foi então novamente encaminhado para ser analisado por especialistas da Faculdade de Engenharia Elétrica da Universidade. Num primeiro momento, porém, Novaes disse desacreditar de sistema moto-contínuo. "Pode ser que um dia alguém invente um, mas acho improvável, porque sempre há perda de energia, de uma forma ou de outra, nem que seja por atrito ou calor", explicou o engenheiro. De qualquer forma, o projeto será estudado pela Universidade. O que para Vieira é uma vitória depois de uma comprida jornada.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.