Invasores de terreno da Volks já chegam a 3 mil

A toda hora chegam mais famílias com lonas e madeira. Elas procuram um espaço vazio e começam a instalar suas barracas. O número de invasores do terreno vazio da Volkswagen, em São Bernardo do Campo, no ABC, triplicou de ontem, primeiro dia da ocupação, para hoje, segundo o Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto (MTST) e, no fim da tarde, já eram 3 mil famílias instaladas na área da Avenida Doutor José Fornari.A maioria dos sem-teto vive em bairros carentes de São Bernardo e paga aluguel ou mora na casa de parentes. Eles dizem ter aderido à invasão porque não têm como arcar com a despesa da moradia por causa do desemprego e da baixa renda. É o caso da desempregada Elisângela Rodrigues de Souza, de 25 anos, que foi para o acampamento após ouvir um carro de som do MTST passar na porta da sua casa convocando para a ocupação. "Mal temos dinheiro para comer. Se não exigirmos moradia, vamos ficar na rua", disse Elisângela, grávida de 8 meses. Ela está no terreno da Volks com o marido, Vanderlei, e a filha Ianca, de 7.FrioA grande reclamação dela e das demais pessoas instaladas no local é o frio à noite e o forte calor do dia sob as lonas. O desempregado Adolfo dos Santos, de 34 anos, se considera "um felizardo" por ter dormido com a família em seu carro. "Foi difícil. Imagine nas barracas", disse Santos, que estava com a mulher e três filhos."Essa área não é usada há mais de dez anos", disse Camila Alves, do MTST. O local já tem nome: Santo Dias da Silva, em homenagem ao ex-metalúrgico morto em 1979, em confronto entre grevistas e a PM. A Volks só dará uma posição oficial sobre o caso após advogados analisarem a situação.

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