Invasões levam governo a reforçar Ouvidoria Agrária

A onda de invasões do Movimento dos Sem-Terra (MST) e os confrontos no campo em diversas regiões do País fizeram com que o governo reforçasse a Ouvidoria Agrária, ligada ao Ministério da Reforma Agrária, para tentar se antecipar aos acontecimentos.Nesta quarta-feira, o ministro Miguel Rosseto se reuniu com seu colega do Ministério da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, para pedir a participação de integrantes da pasta na Ouvidoria.Mas Rosseto não quis polemizar sobre as recentes ocupações, afirmando apenas que os movimentos têm que assumir seus atos. Nas duas últimas semanas, o MST promoveu invasões em diversos Estados, inclusive com violência durante a ocupação da superintendência do Instituto Nacional deColonização e Reforma Agrária (Incra), em Goiânia.Na terça, o presidente da Associação dos Trabalhadores Rurais do Assentamento Mascatinho, em Tamandaré (PE), José Cândido da Silva, foi assassinado com dois tiros, e nesta quarta duas pessoas ficaram feridas durante uma reintegração de posse, também em Goiás."Isso nos preocupa, temos que acabar com esta cultura no País", afirmou Rosseto, que transferiua responsabilidade para o governo anterior. "Temos um passivo gigantesco herdado,que é quem produz o conflito."Atualmente a Ouvidoria Agrária é integrada apenas pelo desembargador Gersino José da Silva Filho e pela técnica do Incra, Maria de Oliveira.A intenção do governo é reforçá-la com técnicos do Ministério da Justiça. Rosseto afirmou que podem ser de qualquer área, inclusive da PF."O governo quer se antecipar à violência, e por isso precisamos ter instrumentos reais para isso", informou o ministro. Thomaz Bastos ficou de estudar a proposta. Para Rosseto, o governo tem um programa emergencial de reforma agrária, mas é preciso abrir um diálogo permanente com os movimentos sociais."Eles devem responder por suas iniciativas", disse o ministro, que não rebateu às declarações da União Democrática Ruralista (UDR), que qualificou o Incra como braço político do MST.Desde os oito anos do governo Fernando Henrique Cardoso e até nos primeiros dois meses de administração do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, os serviços de segurança, tanto do Palácio do Planalto quanto da PF, não conseguiram se antecipar aos atos do MST e nem mesmo a confrontos entre movimentos sociais e fazendeiros.Veja o índice de notícias sobre o Governo Lula-Os primeiros 100 dias e os ministérios

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