Invasões do carnaval vermelho são políticas, diz Marrey

De acordo com o secretário, se o objetivo é pedir reforma agrária, os manifestantes devem ir a Brasília

José Maria Tomazela, de O Estado de S. Paulo,

24 de fevereiro de 2009 | 12h57

O secretário estadual da Justiça e da Defesa da Cidadania, Luiz Antonio Marrey, disse nesta terça-feira, 24, que as invasões do chamado "Carnaval Vermelho" no Pontal do Paranapanema, oeste de São Paulo, são políticas. Entre domingo e segunda-feira, cerca de 2 mil militantes ligados a José Rainha Júnior, dissidente do Movimento dos Sem-Terra (MST), invadiram 20 fazendas na região, em protesto contra o governo estadual.   Liderados pelo MST recebem R$ 10 mi do governo federal Sem-terra promovem ''Carnaval Vermelho'' e invadem 20 fazendas Em nota, Itesp afirma que ação na região é prioridade   "É preciso esclarecer que essa situação serve apenas para esse movimento, pois perturba a tranquilidade na região e não serve para eventuais candidatos ao assentamento", disse. "Isso tudo é pretexto para a luta política. Parece um partido de oposição ao governo do Estado." Marrey contou ter lido que o grupo de Rainha já recebeu cerca de R$ 10 milhões do governo federal e que o Ministério Público estaria apurando a aplicação dos recursos. "Do governo do Estado, eles não vão arrancar nenhum tostão."   De acordo com o secretário, se o objetivo era protestar pela reforma agrária, os manifestantes erraram o endereço. "Eles têm de ir para a Esplanada dos Ministérios (em Brasília). Estamos no sétimo ano do governo Lula e a responsabilidade pela reforma agrária é do governo federal." Segundo Marrey, ao Estado cabe uma participação subsidiária na arrecadação de terras tidas como devolutas.    "E isso o Itesp (Fundação Instituto de Terras do Estado de São Paulo) está fazendo. Eu mesmo fui a Teodoro Sampaio instalar um novo assentamento, e vamos entregar outros dois em março e abril." Ele deixou claro o repúdio do governo do Estado a "essa movimentação política" que só traz prejuízo. "Tem carnaval vermelho, abril vermelho, outubro vermelho e natal vermelho. A cada momento é um pretexto para esse tipo de ação que não leva a nada."   Sobre as críticas da União Democrática Ruralista (UDR) à demora na votação do projeto que regulariza áreas com mais de 500 hectares na região, Marrey disse que a proposta do governo será votada no momento oportuno. O projeto está, desde junho de 2007, na Assembleia Legislativa. "Embora a votação seja um desejo da região, pequenos grupos trabalham contra. As duas extremas, a esquerda e a direita, se irmanam na vontade de não resolver o problema." O secretário disse que a Polícia Militar dará apoio para o cumprimento dos mandados de reintegração de posse que forem concedidos pela Justiça.   A UDR deve protocolar nesta quarta-feira, 25, no Ministério Público Estadual e no Departamento de Polícia Judiciária (Deinter) de Presidente Prudente, pedidos de prisão contra José Rainha Júnior e Sérgio Pantaleão, considerado seu "braço direito", por crimes de esbulho possessório e formação de quadrilha.   De acordo com o presidente Luiz Antonio Nabhan Garcia, as invasões foram anunciadas com antecedência na imprensa por Rainha e Pantaleão, o que constituiria também apologia do crime. O setor jurídico da UDR já prepara ações de reintegração de posse contra os invasores. Segundo Garcia, o trabalho é prejudicado pelos feriados do carnaval. Muitos proprietários das áreas invadidas estavam viajando e também precisam esperar a abertura dos cartórios para obter as certidões que devem ser juntadas às ações.

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