Invasão em Teodoro Sampaio foi ?troco? à prisão de sem-terra

O maranhense Sergio Pantaleão, de 25 anos, que comandou a invasão da Fazenda Santa Maria, em Teodoro Sampaio, no Pontal do Paranapanema, extremo-oeste de São Paulo, é tido como o provável sucessor de José Rainha, um dos principais líderes do Movimento dos Sem-terra (MST).Casado com Letícia e pai de uma filha pequena, ?Serginho?, como é conhecido, tem grande poder de arregimentação nas cidades do Pontal. Foi dele a idéia de dar uma resposta rápida contra a prisão dos sem-terra que participaram da invasão da Fazenda Córrego da Ponte, do presidente Fernando Henrique Cardoso.A Santa Maria é administrada pelo sócio do presidente, Juvelino Carvalho Mineiro. ?O governo foi desleal e mexeu com quem não devia?, justificava-se nesta segunda-feira Pantaleão. Ele disse que a ação em Teodoro Sampaio foi o troco dado ao ministro do Desenvolvimento Agrário, Raul Jungmann, que mandou prender os sem-terra.Apesar de estar há pouco mais de dois anos na região, Serginho conhece bem o Pontal. Ele coordenou cursos de treinamento dos sem-terra e ganhou a simpatia dos trabalhadores. Pantaleão foi pessoalmente, de carro, convencer os grupos de assentados a participar da invasão.Nesta segunda-feira, esteve à frente de um comando que percorria as localidades vizinhas, Pirapozinho, Presidente Bernardes e Tarabai, cooptando reforços para engrossar o acampamento. Ele contestava informações de que o MST estaria pagando por essa arregimentação.José Rainha estava na região de Campinas quando ocorreu a invasão, por volta das 6 horas da manhã desta segunda. Ele chegou à fazenda invadida apenas no início da tarde. Rainha considera Pantaleão sua ?cria?. Foi ele quem trouxe Serginho do Maranhão e o introduziu no grupo do MST do Pontal.Quando Rainha foi ferido com um tiro, no dia 19 de janeiro último, disparado pelo fazendeiro Roberto Junqueira, durante tentativa de invasão da Fazenda Santa Rita, Pantaleão estava a seu lado, ao volante do carro.Foi Serginho quem comandou grande parte da marcha dos sem-terra, em Presidente Prudente, barrada pelo prefeito Agripino Lima (PTB). Ele já participou de várias invasões e responde a inquéritos, mas não registra condenação no Estado de São Paulo.

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