Invasão dos sem-terra compromete pesquisa científica

A invasão dos trabalhadores rurais sem-terra à fazenda do Pólo Regional da Alta Mogiana (novo nome da Estação Experimental de Zootecnia), em Colina, na região de Ribeirão Preto, na noite de segunda-feira, causou sérios prejuízos aos trabalhos científicos realizados no local. O diretor do Pólo, Flávio Dutra Resende, diz que os dados das avaliações de desempenhos dos animais na seca não são mais confiáveis. "Podemos ter um mês de perda na coleta de resultados", explica. Hoje ele enviou um relatório à Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, informando sobre os prejuízos mínimos e imediatos: cerca de R$ 85 mil para repor cercas de arame e dividir novamente os animais. Segundo Resende, os cerca de 1.700 animais das várias pesquisas foram misturados (muitos estavam isolados há cinco anos), após os sem-terra cortarem as cercas internas da fazenda. Bovinos de corte e de leite e cavalos ocuparam o mesmo espaço e as separações são necessárias para a continuidade dos trabalhos. Em função do deslocamento de funcionários para o conserto das cercas, o trabalho de equoterapia, com 25 crianças deficientes físicas e mentais do município, foi suspenso até a normalização da rotina na propriedade do Estado. Apesar de normalizado o clima na fazenda, os sem-terra ainda continuam perto, na estrada vicinal, ao lado. Os sem-terra, ligados à Federação dos Assalariados do Estado de São Paulo (Feraesp), ganharam mais dez dias da prefeitura para ficar no local, enquanto o prefeito Dieb Taha (PMDB) reúne-se amanhã, em São Paulo, com coordenadores do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) e da Fundação Instituto de Terras do Estado de São Paulo (Itesp). Os sem-terra dizem que a área do Estado é improdutiva e o Estado contesta. Taha também considera perigosa a situação dos sem-terra na estrada vicinal, por isso pediu e conseguiu, na Justiça, uma liminar de reintegração de posse ao município. A reintegração foi suspensa até uma possível reunião entre representantes do Incra, da Itesp e dos sem-terra.

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