Invasão do Carandiru foi "atabalhoada", diz testemunha

No terceiro dia dos depoimentos do julgamento do coronel Ubiratan Guimarães, que comandou a invasão do presídio do Carandiru pela Polícia Militar, em 1992, que resultou na morte de 111 presos, os jurados ouviram o depoimento da última testemunha da acusação, Aparecido Fidelis, diretor de vigilância da Casa de Detenção na época do massacre. Fidelis disse que a tropa da PM impediu que houvesse uma última tentativa de negociação, invadindo atabalhoadamente o Pavilhão 9 do presídio e ?quase pisoteando? o então diretor, José Ismael Pedrosa. Fidelis disse que havia faixas estendidas nas janelas do pavilhão, pedindo paz, e afirmou terem os detentos atirado pelas janelas facas e estiletes, para evitar que fossem apanhados com armas. "Eles tentam se desfazer das armas, para evitar as punições disciplinares", disse. Quem é apanhado com uma faca pode ficar até 30 dias confinado em uma cela disciplinar.A defesa tentou explorar as impressões da testemunha sobre a violência dos detentos. Depois de Fidelis, começou o depoimento do secretário da Segurança Pública na época, o procurador de Justiça Pedro Franco de Campos. Ele defendeu o coronel, elogiou-o como policial e disse que Ubiratan era homem fundamental para o combate ao crime, na época em que esteve no governo.

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