Inundações e deslizamentos são primeiro teste de Dilma, diz 'El País'

Tragédia no Rio é destaque na imprensa internacional; FT observa que 'ricos e pobres' foram atingidos neste ano.

BBC Brasil, BBC

14 de janeiro de 2011 | 07h42

Dilma sobrevoou área atingida pelos deslizamentos na quinta-feira

As inundações e os deslizamentos de terra que devastaram a região serrana do Rio de Janeiro são o primeiro teste de Dilma Rousseff desde que assumiu a Presidência, no dia 1º de janeiro, afirma reportagem publicada nesta sexta-feira pelo diário espanhol El País.

"A gravidade das inundações e dos deslizamentos de terra que provocaram a maioria das mortes forçaram a presidente Dilma Rousseff a se deslocar de Brasília até a região, no que é seu primeiro teste desde que assumiu o cargo", afirma o jornal.

A reportagem do jornal espanhol observa ainda que "enquanto as famílias das vítimas choravam por seus mortos e sofriam pelos feridos sem lugar nos hospitais, acomodados como podiam no chão, os analistas políticos começaram a advertir que a tragédia não pode ser atribuída 'somente às chuvas', mas sim a uma falta de prevenção e ao descuido dos políticos locais que permitem construir em áreas de risco".

Outro diário espanhol, El Mundo, afirma que a tragédia no Rio de Janeiro representa para Dilma Rousseff "um desafio precoce comparável ao que enfrentou Sebastián Piñera em seus primeiros meses à frente do governo chileno com o terremoto (do ano passado)".

'Deslizamentos devastadores'

O diário americano The New York Times, por sua vez, comenta que os "deslizamentos de terra devastadores" provocaram o maior desastre natural da história do Brasil.

A reportagem observa ainda que "este é o quarto ano consecutivo no qual o Brasil enfrenta chuvas torrenciais e deslizamentos de terra devastadores".

O diário econômico britânico Financial Times observa que a tragédia deste ano atingiu "ricos e pobres".

"Diferentemente de desastres anteriores, este também devastou áreas ricas, destruindo mansões luxuosas e atingindo famílias de multimilionários durante o sono", afirma o jornal.

O jornal afirma ainda que "a perda de vidas por causa de enchentes e deslizamentos de terra vem se tornando uma ocorrência regular nas principais cidades brasileiras, levando a crescentes acusações de planejamento irresponsável por parte das autoridades civis".

Áreas de risco

O diário alemão Frankfurter Rundschau observa que as cidades atingidas haviam feito um levantamento de áreas de risco, com um financiamento do governo federal. "Somente em Teresópolis, 93 áreas de risco foram identificadas. Mas obviamente nada aconteceu", afirma a reportagem do jornal.

O diário observa que os políticos não gostam de programas de combate à ocupação ilegal por causa das críticas, "especialmente daqueles que são retirados sob relutância, por terem investido em suas casas e terem raízes na área".

"E aqui estamos, ano após ano assistindo a mesma tragédia", diz o jornal.

Outro diário alemão, o Süddeutsche Zeitung, observa que as imagens deste ano "lembram as de 2010, quando cidades também foram inundadas e casas das favelas no Rio foram levadas morro abaixo".

"Para o interior próximo à Cidade Maravilhosa, a chuva tropical teve efeito letal", diz o diário.BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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