Reprodução/YouTube
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Intolerância nas redes aumenta responsabilidade das empresas, dizem analistas na Brazil Conference

Debate analisou o discurso de ódio nas redes e discutiu saídas

Bruno Ribeiro, O Estado de S. Paulo

11 de abril de 2021 | 21h52

A internet transformou apoiadores políticos em “fãs”, e a intolerância e discurso de ódio ganharam terreno nas redes sociais, aumentando a responsabilidade das empresas de tecnologia. O banimento seria a melhor forma de controle? Essas questões foram o centro do painel Redes sociais e sociedade, que inaugurou ontem a Brazil Conference 2021 – o evento, realizado pela comunidade brasileira de estudantes em Boston (EUA), promove encontro dos principais líderes do País e tem parceria com o Estadão.

“O fã, como a gente diz no meme, passa pano”, afirmou o youtuber e influenciador Felipe Neto, um dos participantes do debate, mediado pela advogada Gabriela Prioli. Crítico declarado do presidente Jair Bolsonaro, Neto, que tem 41 milhões de seguidores, afirmou que apoiadores de políticos, em geral, ficam na “caixa de comentários gritando” em apoio ou crítica a uma certa pessoa sem análise.

Para o pesquisador e advogado Ronaldo Lemos, nas redes sociais “tem a tese, tem a antítese e ninguém se convence”. Segundo ele, a intolerância deu espaço para comportamentos nocivos para a sociedade, em uma “disputas de narrativas”.

Especialista em tecnologia e único brasileiro membro do Conselho Independente de Supervisão do Facebook, Lemos lembrou que as empresas proprietárias dessas redes têm preocupação em modular as interações nessas plataformas: um exemplo é o banimento do ex-presidente Donald Trump da plataforma. A forma da punição, contudo, não é consenso. “Será discutido por CEOs, não por juristas”, disse Felipe Neto.

Para Rita Von Hurty, a persona drag queen do professor Guilherme Terreri, as disputas atuais nas redes são um passo seguinte em relação aos movimentos de contestação que ocorreram há alguns anos (como, por exemplo, o Occupy Wall Street). “A cultura é uma forma de ver a política. Esse movimento de redes sociais e de como as pessoas foram se entendendo protagonistas, não mais passivas, é porque elas pegaram o último movimento desta crise, quando seria tomada a possibilidade delas de construir outra narrativa”.

Em meio à pandemia de covid-19 e a desinformação nas redes sociais, a jornalista Aline Midlej ressaltou o papel da imprensa para desmentir notícias falsas: “A mídia tradicional ganhou força e relevância”.

Outros debates 

Ainda no domingo, a Brazil Conference trouxe um painel que discutiu “tecnologia, cultura e o futuro”, mediado pelo gerente de relacionamento entre gravadoras e artistas do Spotify, Éliton Nascimento. Os palestrantes foram a cantora Ludmila, o músico e empresário Fióti, a produtora musical Eliane Dias e a diretora de Insights e Analytics na Discovery Brasil, Mariana Abreu. Com a composição feita por profissionais ligados à música, os debatedores destacaram o papel protagonista do negro na música brasileira.   

A conferência trouxe ainda uma palestra de Micheal Seibel, diretor administrativo da Y Combinator e um dos fundadores da empresa que, depois de comprada pela Amazon, se tornou o Twitch – uma rede social em ascensão entre os jovens voltadas para games. 

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