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Interventor em órgão da UnB já foi acusado de receptação

Fróes também teve de responder por venda de carro com chassi adulterado

Luiz Alberto Weber, O Estadao de S.Paulo

21 de fevereiro de 2008 | 00h00

Nomeado interventor da Fundação de Empreendimentos Científicos e Tecnológicos (Finatec), Luiz Augusto Souza Fróes já foi denunciado pelo Ministério Público por receptação de mercadoria roubada. Ele também já teve de responder judicialmente por ter vendido um carro com chassi adulterado. Os cinco dirigentes afastados do comando da Finatec, fundação ligada à Universidade de Brasília (UnB), aguardam decisão da Justiça sobre pedido para que Fróes seja destituído do novo cargo. A decisão deverá sair nos próximos dias.A fundação sofreu intervenção por supostamente fazer gastos incompatíveis com a atividade científica. Teria gasto, por exemplo, R$ 470 mil para a compra de um carro de luxo e para decorar o apartamento do reitor da UnB, Timothy Mulholland. A lista de compras inclui três lixeiras por R$ 2.738, equipamentos de TV e som por R$ 36.603, quadros por R$ 21.600 e 16 vasos de plantas por R$ 7.264. Depois da denúncia de uso indevido de recursos públicos, o reitor deixou o imóvel.ANÁLISESegundo o Tribunal de Justiça do Distrito Federal, o juiz da 6ª Vara Cível de Brasília, Aiston Henrique de Sousa, solicitou que o Ministério Público, que indicou o interventor, se manifeste. Só depois vai anunciar se acolhe ou rejeita o pedido de destituição. Fróes foi denunciado por receptação de mercadoria roubada (uma máquina de gelar chope) pelo Ministério Público. Segundo a denúncia encaminhada à Justiça, ele adquiriu o equipamento "conscientemente e voluntariamente em proveito próprio, sabendo ser este produto de crime". O caso, de 1995, tramitou na 4ª Vara Criminal. No processo, número 00032286/95, consta que Fróes fez acordo e teve extinta sua "punibilidade".Ele foi também diretor-superintendente da Fundação Visconde de Cabo Frio e permitiu a contratação de empréstimos em instituições financeiras sem autorização prévia do conselho da instituição.Documentos obtidos pelo Estado mostram que, em reunião do dia 2 de fevereiro de 2006, Fróes reconheceu "não dispor de autorização prévia para tal". Ele informou que as dívidas haviam sido contraídas no segundo semestre de 2005 "para saldar compromissos emergenciais" e "não representavam valores significativos". Os empréstimos foram de R$ 76 mil e R$ 28 mil.A Fundação Cabo Frio foi criada para prestar assistência (médica e educacional) a servidores do Itamaraty. A instituição tem seu conselho de administração formado por diplomatas. Fróes se tornou diretor-superintendente em 2001 e, desde então, segundo apurou a reportagem, foram observadas irregularidades de diferentes tipos.Ontem, o interventor da Finatec foi procurado pelo Estado. Assessores informaram que ele daria explicações em uma entrevista coletiva no fim da tarde sobre as denúncias, mas cancelou alegando "muito trabalho". Há promessa de Fróes se pronunciar hoje.

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