Interventor descredencia 12 escritórios de consultoria

O interventor da Superintendência de Desenvolvimento da Amazônia (Sudam), José Diogo Cyrillo, declarou ontem, em entrevista à Rádio Eldorado, que os escritórios que estavam credenciados à autarquia para prestar assessoria na elaboração de projetos revelaram-se verdadeiros "portais de corrupção". "Havia 12 escritórios de consultoria e de elaboração de projetos credenciados e eu detectei, por meio de relatórios e de investigação, que ali estava o portal da corrupção", afirmou Cyrilo. Com base nas constatações, ele descredenciou os 12 escritórios e remeteu seus processos ao Ministério Público. "Investigo projetos, empresas e servidores envolvidos em desvios da Sudam, mas não adentro na área penal", explicou o interventor, que assumiu a função no dia 21 do mês passado. "O Ministério Público que propõe, perante o Poder Judiciário, o pedido de responsabilização na área penal."Dos 12 escritórios com indícios de irregularidades, dois localizam-se em São Paulo: além do Prestimus Planejamento e Assessoria, o Projepla Projetos, Planejamento e Assessoria. Pelos dados da assessoria de Cyrillo, a segunda empresa estaria localizada na Rua Sete de Abril, no centro da cidade.No número e andar correspondentes à Projepla, no entanto, foi localizada uma empresa de engenharia que funciona no local há mais de 30 anos, embora esteja em fase de desativação por causa do falecimento de seus sócios. A zeladoria do edifício informou que a empresa indicada teria funcionado em outro andar, mas mudou-se de endereço há cerca de oito meses. Não há no local registro do novo destino.Providências - Além de ter descredenciado os escritórios suspeitos, Cyrillo cancelou, na última quinta-feira, sete projetos em que havia constatado desvios de recursos. "Estava (o rombo correspondente) na casa dos R$ 190 milhões", afirmou. Naquele mesmo dia, o interventor expediu 15 notificações para que empresários que abandonaram projetos e desviaram recursos apresentem explicações. "Isso é outra coisa que deve estar na ordem dos R$ 350 milhões."Cyrillo promete novos procedimentos para a sexta-feira, embora não tenha adiantado quais medidas pretende adotar. "Não vou esperar concluir. Semanalmente, apresentarei procedimentos" anunciou.Por causa do tempo restrito de trabalho, ele disse que tem encontrado dificuldades para "pôr em marcha o que vinha caminhando há um bom tempo sem uma investigação adequada". Garantiu ainda que o governo tentará recuperar os quase R$ 2 milhões desviados da Sudam por meio de ações na Justiça. "A Advocacia Geral da União vai entrar com ações para reaver esses bens."

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