Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

Intervenção não é motivada por tentativa de reeleger Temer, diz governo

Através do ministro Eliseu Padilha e do porta-voz Alexandre Parola, o presidente negou que a ofensiva voltada à segurança tenha como foco sua candidatura

Carla Araújo, O Estado de S.Paulo

21 Fevereiro 2018 | 18h01

BRASÍLIA - O ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha (MDB), negou nesta quarta-feira, 21, que a intervenção na segurança do Rio de Janeiro tenha como pano de fundo uma possível ambição do presidente Michel Temer em disputar a reeleição. “Absolutamente. Não (tem essa intenção)”, afirmou. 

Segundo Padilha, uma atuação “mais objetiva e profunda” no Rio era uma necessidade. “Coube às luzes e às câmeras do carnaval mostrar (a violência), mas aquilo é o dia a dia”, afirmou. O ministro alegou ainda que foi uma demanda do governador do Rio de Janeiro, Luiz Fernando Pezão (MDB), que admitiu que precisava de reforço. “Nós vimos o que estava acontecendo no Rio. E isso tinha que ser combatido”, completou. 

O ministro da Secretaria de Governo, Carlos Marun, afirmou mais cedo que, mesmo sendo 'elegível', o presidente não tem, no momento, a intenção de disputar a reeleição. "Veja bem, o presidente é elegível, não é inelegível. É claro que, se ele vier no futuro a cogitar da possibilidade de disputar a eleição, ele tem condições de fazê-lo, mas hoje a posição do presidente é clara no sentido de não disputar as eleições", declarou Marun em entrevista na Câmara. 

Na segunda-feira, 19, após anunciar as 15 medidas econômicas prioritárias do governo, Padilha rechaçou a possibilidade de a decisão do presidente de decretar a intervenção ter sido tomada às pressas. Reconheceu, no entanto, que o presidente vai usar a bandeira da Segurança Pública como seu "legado nas eleições" e que o anúncio da criação do Ministério Extraordinário da Segurança mostra isso. "O tema será, sim, uma marca do presidente Temer", destacou. 

Porta-voz. Um pouco antes da fala de Padilha, o porta-voz do presidente, Alexandre Parola, fez um pronunciamento para reforçar que a decisão de intervenção na área de segurança do Rio não teve viés eleitoral.  “A agenda eleitoral não é, nem nunca o será, causa das ações do presidente”, disse. 

A declaração foi vista como uma resposta ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que, em entrevista à rádio Itatiaia, afirmou que a intervenção  é uma "pirotecnia" criada pelo governo para tentar reeleger Temer e que o emedebista estaria buscando uma nova bandeira após as dificuldades de aprovar a Previdência.

"Acho que o Temer está encontrando um jeito de ser candidato à Presidência da República. E acho que ele achou que a segurança pública pode ser uma coisa muito importante para ele pegar um nicho de eleitores do Bolsonaro", afirmou Lula, que está na capital mineira para um evento de comemoração dos 38 anos de fundação do Partido dos Trabalhadores. 

O porta-voz rebateu as declarações e afirmou que “toda e qualquer decisão de governo é regida exclusivamente pelas reais necessidades de encontrar soluções para os problemas do povo brasileiro”.  “O presidente da República não se influenciou por nenhum outro fator, a não ser atender a uma demanda da sociedade. É essa a única lógica que motivou a intervenção federal na área de segurança pública do Estado do Rio de Janeiro”, garantiu o porta-voz.

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.