Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

Intervenção militar seria retrocesso, diz comandante do Exército

General Eduardo Villas Bôas relativiza que apoio popular à ideia demonstra problemas no Brasil

Vinicius Neder, O Estado de S.Paulo

23 Janeiro 2018 | 11h47

RIO - O comandante do Exército Brasileiro, general Eduardo Villas Bôas, afirmou nesta terça-feira, 23, que seria um retrocesso se houvesse uma intervenção militar no governo federal, mas que o apoio popular à ideia demonstra problemas no Brasil. Em palestra durante seminário no Rio, o general comentou que 43% da população apoiariam uma intervenção militar, conforme pesquisas de opinião.

“Isso é um termômetro da gravidade do problema que estamos vivendo no País. Uma intervenção militar seria um enorme retrocesso hoje, mas interpreto aí alguma identificação da sociedade com os valores que as Forças Armadas expressam”, afirmou Villas Bôas, em palestra durante o seminário “Brasil: Imperativo renascer”, promovido pela Insight Comunicação.

Sem citar as eleições de 2018, o comandante do Exército disse, em momento anterior da palestra, que esses valores estão se perdendo e que a sociedade brasileira corre o risco de uma fragmentação. “Se não uma fragmentação territorial, já está a caminho uma fragmentação social”, disse Villas Bôas na palestra.

O general associou a “fragmentação social” à incorporação pela sociedade brasileira, de forma “passiva”, de “ideologias”. “Incorporamos tanto ideologias políticas quanto ideologias sociais que estão nos desfigurando como nação e alterando nossa identidade”, afirmou.

Segundo Villas Bôas, “todos os problemas se tornam ideologia” e, quando o foco fica nas ideologias, os resultados e a busca de soluções ficam de lado. Assim, quanto mais “ambientalismo”, mais problemas ambientais; quanto mais “indigenismo”, mais os “coitados dos nossos índios” ficam abandonados; quanto mais “luta contra o preconceito racial”, mais “racialismo”; quanto mais “se discutem as questões de gênero, mais preconceito nessa área se verifica”, afirmou o general. “Por incrível que pareça, até mesmo, está surgindo no nosso País intolerância religiosa”, completou.

Para o comandante do Exército, por trás “disso tudo” está a falta de “disciplina social” na sociedade brasileira. E a “falta de limites”, segundo Villas Bôas, relacionada com as “carências da nossa educação” e com a perda da “presunção da autoridade”, não só dos agentes públicos, mas até mesmo dos professores em sala de aula. “Essa falta de limites está fazendo com que a nossa sociedade vá se desagregando paulatinamente”, afirmou Villas Bôas.

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