André Dusek/Estadão
André Dusek/Estadão

Intervenção do Planalto no RJ faz PRB 'reavaliar' apoio a Dilma

Sigla alterou data de convenção nacional; presidente da legenda acusa governo de usar ministros para intervir na eleição no Estado

ERICH DECAT, Agência Estado

25 Junho 2014 | 18h44

Brasília - Contrariados com a intervenção do Palácio do Planalto na disputa estadual do Rio de Janeiro, integrantes da cúpula do PRB passaram a "reavaliar" a possibilidade de apoiar a candidatura à reeleição da presidente Dilma Rousseff.

Inicialmente, a convenção nacional do PRB estava prevista para ocorrer nesta sexta-feira, 27 quando deveria ser selada a aliança com o PT no âmbito nacional. O encontro foi remarcado para a próxima segunda-feira, 30, prazo final para a composição das chapas que irão disputar as próximas eleições.

"A Executiva Nacional do PRB achou melhor, diante das incertezas dos cenários e da interferência do Palácio do Planalto na conjuntura política do Rio, mudar a data", afirmou ao Broadcast Político o presidente nacional da legenda, Marcos Pereira.

Aliada do governo Dilma, a legenda comanda atualmente o Ministério da Pesca com Eduardo Lopes (PRB-RJ), que assumiu a cadeira em março deste ano no lugar do senador Marcelo Crivella (PRB-RJ), pré-candidato ao governo do Rio.

"Foi combinado com o governo federal que eles não iriam interferir na eleição do Rio, já que o Estado teria quatro candidatos da base aliada. O governo interveio de forma forte e veemente por meio dos ministros Ricardo Berzoini [Relações Institucionais] e Aloizio Mercadante [Casa Civil]", afirmou o dirigente.

Questionado sobre quais procedimentos os ministros tomaram, Pereira afirmou: "Eles chamaram o presidente do PROS, Eurípides Júnior, e pediram que ele fosse com Lindbergh Farias (PT) ou com o Garotinho (PR) e contra o Crivella. Foi o que aconteceu".

Na noite de terça, o PROS anunciou a adesão à campanha de Anthony Garotinho (PR) ao governo do Rio. A decisão ocorreu no mesmo dia em que o partido realizou a convenção nacional em que oficializou apoio à campanha presidencial de Dilma.

Apesar do descontentamento com o governo, o presidente do PRB não soube dizer se há alguma possibilidade de a legenda rumar com os candidatos presidenciais de oposição Aécio Neves (PSDB) e Eduardo Campos (PSB).

"Não sei porque vou aguardar as conversas com os integrantes do partido. Uma decisão, só dia 30", afirmou. Segundo ele, caso o partido opte por não seguir com Dilma, colocará o Ministério da Pesca à disposição da presidente. 

Novos aliados. Em convenção realizada nesta quarta-feira, 25, em Brasília, o PSD e o PP oficializaram apoio a Dilma na disputa presidencial deste ano. Antes das duas legendas também já confirmaram o apoio PT, PMDB, PDT e o PROS. 

Nesta sexta-feira, o PCdoB se reúne para anunciar que também fará parte do grupo. A tendência é que Dilma consiga construir uma coligação que lhe asseguraria o maior tempo de TV e rádio na disputa presidencial.

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