Intervenção de Maia no DEM dificulta permanência, diz Índio

Ex-candidato a vice na chapa de José Serra à presidência da República, Índio deve ser mais um reforço para o PSD

DAIENE CARDOSO, Agência Estado

23 de março de 2011 | 16h07

Com um pé no Partido Social Democrático (PSD), legenda que está sendo recriada pelo prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, o ex-deputado federal Índio da Costa revelou nesta quarta-feira, 23, que sua situação no DEM está cada vez mais difícil. Índio, que foi vice de José Serra (PSDB) na disputa pela Presidência da República no ano passado, atribuiu seu desconforto no DEM à intervenção do ex-prefeito César Maia no diretório municipal do partido. "Essa atitude do César Maia no Rio de Janeiro dificulta a convivência", desabafou o ex-deputado, após almoço com o prefeito paulistano.

 

Índio chamou de "catastrófica" a decisão de Cesar Maia de trocar o diretório municipal e comandar pessoalmente a legenda na capital fluminense. "Se tem um partido que se diz democrata, a primeira coisa que se tem de fazer é praticar a democracia partidária", afirmou. Indio disse que não foi convidado para a reunião que sacramentou a decisão de Maia e que nunca foi incluído nas decisões locais. "Não se pode fazer política nacional, que é o meu caso, sem poder fazer política regional. O que adianta eu ficar rodando o Brasil fazendo palestras, enquanto que no meu Estado não estou sendo respeitado", reclamou. "Nunca me chamaram (para participar das decisões) e sempre contaram comigo."

 

Oficialmente, o ex-deputado veio a São Paulo para dar uma palestra no Instituto de Estudos Empresariais (IEE) sobre formação política para jovens empresários. Na terça-feira, 22, antes do compromisso, Índio conversou com o ex-senador Jorge Bornhausen (DEM) sobre sua "insatisfação com o Democratas". A quarta-feira foi o dia de "desabafar" com Kassab e aprofundar as discussões sobre sua ida para o PSD, partido cujas diretrizes, de acordo com Indio, representam "tudo o que defendi na campanha". "Essa história de direita e esquerda não existe mais, é coisa do passado. Cheguei à conclusão de que existe um espaço enorme para o PSD ser um partido nacional e de muita relevância nos próximos anos", avaliou.

 

Após ouvir Kassab e Bornhausen, Índio afirmou que não tem pressa para definir seu futuro político. "Não tenho nenhuma obrigação de tomar essa decisão agora", justificou. Ele evitou admitir seu interesse em disputar a prefeitura do Rio de Janeiro em 2012, alegando que sua prioridade, até outubro, é cuidar das questões político-partidárias. "Tenho muito conteúdo sobre Rio de Janeiro, mas não quer dizer que eu seja candidato", desconversou. Indio deixou a Prefeitura de São Paulo com destino a Brasília, onde vai se encontrar ainda nesta quarta-feira, 23, com o presidente do DEM, senador Agripino Maia (RN).

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